O PS lembrou hoje que o PSD apresentou em outubro um projeto de resolução em torno dos compromissos europeus de Portugal, pedindo agora sentido de Estado e coerência aos sociais-democratas sobre apoios à Grécia e a refugiados na Turquia.

"Sentido de Estado, responsabilidade e princípio da continuidade do Estado portugueses e dos compromissos internacionais não parece ser um valor suficientemente elevado para que mereça o voto a favor destes partidos", advogou o deputado socialista João Galamba, que falava no parlamento sobre duas propostas de alteração do PS ao Orçamento do Estado que foram notícia nos últimos dias - apoio financeiro à Grécia e um outro a refugiados na Turquia – as quais já deram entrada no parlamento e serão votadas na terça-feira.

O que o PSD "tem de explicar", prosseguiu o socialista, "é como é que apresenta um projeto de resolução em outubro que pretende reafirmar os compromissos europeus" de Portugal e agora, por "razões oportunistas e táticas", não vote favoravelmente estas matérias.

"É um pouco estranho que partidos que enchem a boca de sentido de Estado, responsabilidade e compromissos internacionais, à primeira oportunidade façam exatamente o oposto daquilo que sempre disseram que fariam", declarou João Galamba.

Sobre as posições dos partidos à esquerda que viabilizam o Governo, e que deverão votar contra estas matérias, Galamba sublinha que Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes" são "partidos coerentes e mantêm-se coerentes nas suas votações".

O socialista lembra que as matérias em apreço - Grécia e refugiados na Turquia - não decorrem de "nenhuma opção política do Governo, mas sim da vinculação aos compromissos europeus", e são a "tradução material e orçamental de um compromisso assumido por Passos Coelho e Paulo Portas" enquanto líderes de PSD e CDS-PP, respetivamente, e figuras principais do executivo dos dois partidos.

Os jornais Público e Expresso noticiaram no sábado que, na sua formulação inicial, estas propostas - que, na prática, são compromissos europeus - poderiam ser chumbadas com votos contra da esquerda parlamentar que se juntariam à formulação do PSD de votar contra as propostas iniciais do Orçamento.

Agora, o PS apresenta duas alterações aos artigos 80 e 81 do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), o primeiro sobre a Grécia e o segundo dedicado à Turquia.

A ideia passa por fazer viabilizar estas novas versões nem que seja apenas com "luz verde" do PS - o PSD declarou que iria votar contra as propostas originais de Orçamento do Estado e iria abster-se nas propostas de alteração.

A votação dos partidos à esquerda e também do CDS-PP poderá variar mas assim, mantendo o PSD a sua marca nas votações, será evitado o chumbo destas duas matérias.