A Juventude Social-Democrata (JSD) esteve, esta quarta-feira, literalmente «com a corda na garganta». O protesto com este nome decorreu à frente da Assembleia da República e os jovens não eram mais de 15, mas eram os suficientes para incomodar um funcionário que os incentivou a saírem do local.

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«Esta acção pretende simbolizar a situação em que os estudantes do Ensino Superior se encontram face à crise económica e social que o país enfrenta, que está a provocar constrangimentos gravíssimos às famílias e que, em consequência, está a colocar os estudantes numa situação dramática, que leva ao afastamento e ao abandono escolar», disse Pedro Rodrigues, líder da JSD, ao TVI24.

O líder da JSD foi ao Parlamento entregar uma proposta com cinco medidas para combater os efeitos da crise sobre os estudantes. Depois de uma reunião com a direcção do grupo parlamentar do PSD, os jovens social-democratas ficam agora à espera que a sua proposta seja aceite e que o debate na Assembleia da República seja agendado.

As cinco «medidas de emergência» são a abertura imediata de um novo período para candidatura a bolsas, uma maior acção social com, por exemplo, a comparticipação do Estado nas refeições, o alargamento do e-escola até aos 26 anos para que os transportes públicos fiquem mais baratos, um mercado de material usado e a contratação de estudantes para os serviços ligados ao Ensino Superior.

A «demagogia e propaganda» de Sócrates

Preocupado também com outros níveis de ensino, Pedro Rodrigues comentou o anúncio de uma nova bolsa para estudantes dos 15 aos 18 anos, durante o congresso do PS: «É mais um exemplo da demagogia e da propaganda política que José Sócrates tem protagonizado. Essas bolsas têm duas consequências: retiram verbas às instituições que já têm dificuldades e têm aplicação só no próximo ano lectivo.»

Também durante o congresso socialista, José Sócrates referiu-se, indirectamente, à JSD, a cara das iniciativas que o PSD «não tem coragem» de tomar.

«José Sócrates tem de compreender que a JSD não é como a Juventude Socialista (JS). Nós temos autonomia política, temos a nossa agenda e temos as nossas prioridades, que são definidas pelos órgãos próprios da JSD e não pelo PSD. A JSD não se deixa intimidar e não se preocupa com as altercações de José Sócrates», respondeu Pedro Rodrigues.

Um «rico» contra a crise

Entre os manifestantes, o TVI24 encontrou Filipe Lopes, uma conhecido vencedor de um concurso da RTP: «Estou aqui por solidariedade com os meus colegas do Ensino Superior que têm mais dificuldades em suportar os custos do mundo universitário. Eu consigo pagar as despesas sozinho apesar de não ser de Lisboa, mas os meus colegas que se vêm confrontados com esse peso de propinas, peso e casa não.»

Estudante da Faculdade de Direito da Universidade da Lisboa, o único presente de uma instituição pública, Filipe Lopes também comentou as «indirectas» de Sócrates.

«Não nos sentimos mais importantes por isso, mas é interessante ver que o incomodamos. Até porque a história fala por si: líderes da JSD já foram expulsos do partido por votarem segundo as suas ideias, que é coisa que a JS não faz [ex. casamento homossexual]. Quem manda na JSD é o presidente e a comissão política, o primeiro-ministro terá todo o direito de fazer o que bem entender com os seus correligionários», ironizou.