A deputada comunista Rita Rato acusou, esta quinta-feira, o Governo da maioria PSD/CDS-PP de querer «impor aos trabalhadores do século XXI os direitos do século XIX», em declaração política no parlamento, centrada na desigualdade salarial entre homens e mulheres.

«Quanto à concertação social e à vontade dos patrões para resolver a discriminação salarial, estamos conversados. É inaceitável que o seu Governo queira impor aos trabalhadores do século XXI os direitos do século XIX», respondeu a parlamentar do PCP à social-democrata Joana Barata Lopes, lembrando que sábado se vai comemorar o Dia Internacional da Mulher.

A deputada «laranja» tinha afirmado que a oposição escolhe sempre o «discurso do quanto pior, melhor», em vez de atentar aos «sinais positivos» da economia e à criação de empregos.

«Preferem sempre tratar este assunto na rua sem olhar às melhorias económicas e aos números do desemprego, por exemplo. Ainda ontem, o Conselho de Ministros decidiu tratar o assunto da desigualdade em sede de concertação social», afirmara a parlamentar do PSD.

Outro deputado da maioria, o democrata-cristão Artur Rego, concordou com a importância do assunto, «que urge tratar na Assembleia da República», mas declarou não ser por falta de legislação ou de ação política, deste ou de outros governos, «ao longo dos 40 anos desde o 25 de Abril e 38 anos desde a Constituição, que a desigualdade de género se mantém».

«A grande falha é a fiscalização no terreno desta legislação. Existe desigualdade um bocado por todo o lado nos restantes países da Europa. Não é só um problema de Portugal», acrescentou.

Rita Rato, por seu turno, argumentou que grande parte do problema «é a prática concreta nos locais de trabalho e de alguns governos, assentes, precisamente, no incumprimento da lei e não só a falta de fiscalização», adiantando que a desigualdade salarial entre homens e mulheres é de 18%.

A socialista Elza País e a bloquista Cecília Honório associaram-se à declaração política do PCP, defendendo a criação de condições para trabalho a tempo parcial iguais para os homens, a fim de acompanharem os filhos, por exemplo, ou condenando «a atual política de direita que tem como alvos as crianças e as famílias».

«Para este Governo PSD/CDS, o desemprego nunca é de mais e o agravamento brutal das condições de vida é sempre uma via certa para reforçar o exército de mão-de-obra disponível para trabalhar a qualquer preço, nem que seja por um prato de comida. No dia em que comemoramos os 93 anos do PCP, reafirmamos que a força da razão nos vem da profunda convicção de que é justa, empolgante e invencível a causa por que lutamos», dissera Rita Rato.