O PSD, PS e CDS-PP manifestaram nesta terça-feira dúvidas sobre a proposta da Comissão Europeia para a criação de um espaço aéreo unificado, conhecida por «céu único», com o PCP a votar contra um relatório sobre esta iniciativa.

Estas posições foram assumidas durante uma reunião da comissão parlamentar de Defesa, durante a discussão de um relatório elaborado pelo deputado social-democrata Correia de Jesus sobre esta proposta, que mereceu a aprovação dos três maiores partidos e o voto contrário do PCP (o BE esteve ausente).

Manuel Correia de Jesus referiu que a medida tem em vista reformar os serviços de navegação aérea e a sua falta de eficiência classificando o espaço aéreo europeu como «uma floresta inexpugnável» com 38 prestadores de serviços de rota e 27 autoridades aéreas nacionais.

O deputado do PSD reconheceu, contudo, que o projeto do «céu único» (iniciado em 2004, reformulado em 2009 e com novo um período transitório até 2020) é «um objetivo ambicioso» e «uma tarefa difícil e complexa», que atinge a soberania dos vários países-membros.

No mesmo sentido, o deputado do PS Júlio Miranda Calha assinalou a «evolução lenta» do processo devido à sua «complexidade e sensibilidade».

O deputado do CDS-PP João Rebelo foi o único a elogiar abertamente a ideia, que considerou «excelente» por conferir «maior segurança», «aumento dos fluxos aéreos» e «diminuir os custos» ressalvando no entanto que o processo exige cautela e «levanta resistências» em vários países.

Pelo lado do PCP, o deputado António Filipe disse que este é um projeto «extremamente controverso e complexo», com «implicações a todos os níveis» e que pode por em causa «o princípio da subsidiariedade».

«Uma boa ideia pode não ser uma ideia boa», ironizou o deputado comunista advertindo para os potenciais «conflitos na definição de rotas» ou entre as companhias aéreas de bandeira.