Um voto do BE, condenando a admissão da Guiné Equatorial na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), dividiu o PS, com a liderança de Alberto Martins a angariar 34 deputados e 33 parlamentares a votarem noutros sentidos.

O texto bloquista afirma que aquela nação africana «é governada por um ditador há 35 anos» e que «Teodoro Obiang ascendeu ao poder depois de um golpe de Estado sangrento em 1979». Foi rejeitado pela maioria PSD/CDS-PP, além de contar com o voto contra dos 34 socialistas.

«A Guiné Equatorial não é um país que respeite nenhum destes princípios fundadores (paz, democracia, Estado de direito, direitos humanos e justiça social) e a sua admissão na CPLP revela uma cedência intolerável. Trocaram-se os valores da defesa dos direitos humanos pelo petróleo e gás natural», lia-se no documento votado favoravelmente por BE e 29 deputados do PS.

Outros quatro deputados socialistas - Vieira da Silva, Pedro Marques, Laurentino Dias e Odete João - optaram pela abstenção, juntamente com os grupos parlamentares de PCP e PEV.

A adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito à CPLP dominou a 10.ª Cimeira da organização, em Díli, considerada histórica pelo Presidente timorense.

O Presidente da Guiné Equatorial foi chamado a juntar-se aos outros líderes lusófonos mesmo antes da oficialização da adesão do seu país à CPLP, uma «incidência protocolar» que surpreendeu o Presidente e o primeiro-ministro portugueses.

Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho referiram depois em conferência de imprensa na capital timorense que desvalorizaram este facto em nome do sucesso da cimeira de Díli.