Os trabalhos da comissão de inquérito ao caso Camarate vão ser interrompidos no final de julho e recomeçarão no início de outubro, devendo funcionar até ao final do ano, de acordo com o calendário aprovado esta terça-feira.

Os deputados aprovaram um requerimento do PSD e do CDS-PP a propor a prorrogação, por mais 90 dias, do prazo de funcionamento da comissão, que termina a 8 de julho.

Os deputados aprovaram por outro lado a suspensão dos trabalhos a partir de dia 24 de julho, dia do último plenário antes das férias.

A comissão de inquérito voltará a funcionar no início de outubro, após as eleições autárquicas, que se realizam a 29 de setembro.

Até lá, os deputados esperam que avance a auditoria aos documentos mais recentes do Fundo de Defesa Militar do Ultramar, pedida há vários meses.

A comissão de inquérito aprovou também, com a abstenção do PS, uma segunda audição de Fernando Farinha Simões, que tinha pedido para voltar a ser ouvido, depois de se ter recusado a colaborar com os deputados aquando da primeira audição.

Entre as iniciativas aprovadas hoje, inclui-se a audição do general José Luís Ferreira, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas entre 1 de março de 1984 e 8 de março de 1989 e o major Canto e Castro, este último acusado por Farinha Simões de ter participado no alegado atentado de Camarate.

A X comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes».