O Bloco de Esquerda (BE) requereu esta segunda-feira acesso a documentos do Governo, auditores e reguladores sobre o Banco Espírito Santo (BES) e o Grupo Espírito Santo (GES), pedindo que a documentação integre o espólio da comissão parlamentar de inquérito.

Em missiva endereçada ao presidente da comissão, Fernando Negrão, a deputada bloquista Mariana Mortágua reclama acesso, por exemplo, a «toda a correspondência trocada, incluindo a eletrónica, entre auditor (KPMG) e reguladores (CMVM e Banco de Portugal) acerca do dossier Espírito Santo», bem como a correspondência entre o banco central e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

As informações trocadas entre o Governo e os reguladores, nomeadamente a referente à decisão de resolução do BES, são também pedidas pelo Bloco, num requerimento que deu hoje entrada e ao qual a agência Lusa teve acesso.

Relatórios diversos, bem como auditorias e missivas trocadas com entidades europeias são também reclamadas pelo BE, que pretende ainda conhecer o «detalhe da exposição atual do Grupo CGD ao BES e Novo Banco» e a lista de ativos e passivos do Novo Banco e do bad bank.

Uma lista das participações das entidades que formam o GES e «todas as atas do conselho de administração do BES desde 2007» são dois outros pedidos do partido liderado por Catarina Martins e João Semedo.

O Bloco pede ainda à Portugal Telecom o relatório da comissão de auditoria da empresa «sobre as aplicações de excedentes de tesouraria no BES».

A comissão de inquérito tomou posse na semana passada e PCP e BE apresentaram já os nomes que querem ouvir na mesma, e que passam por agentes políticos, empresariais e ligados ao setor bancário, com destaque nos elementos da família Espírito Santo.

No total, o PSD tem sete deputados efetivos na comissão de inquérito ao BES, incluindo o presidente, Fernando Negrão, o PS tem cinco parlamentares, PCP e CDS dois e o BE um.