A esquerda parlamentar uniu-se esta sexta-feira nas críticas ao anterior Governo, acusando-o de ter ocultado os problemas do Banif durante três anos, com o PSD a assegurar que quer apurar as responsabilidades de todos os governos "sem exceção".

O deputado do PSD António Leitão Amaro pediu o apoio de todas as bancadas para a realização, a par da comissão de inquérito, de uma "auditoria externa e independente" ao processo que levou à venda do Banif ao Santander para apurar as responsabilidades de todos os intervenientes e governos "sem exceção" e "doa a quem doer".

Entre as dúvidas que apontou sobre o processo, o deputado social-democrata questionou se o que foi feito "foi mesmo para resolver o Banif ou foi para capitalizar o Santander", considerando que o Santander beneficiou de um "jackpot".

"Porquê este jackpot para o Santander, que apenas pagou 150 milhões de euros para receber um banco limpinho, com ativos de perto de dez mil milhões e mais uma garantia do Estado de 750 milhões, mas sem dar nenhuma garantia de futuro aos trabalhadores", questionou Leitão Amaro.


Face à intervenção do deputado do PSD, PCP, PS e BE foram unânimes nas críticas ao anterior governo PSD/CDS-PP, que acusaram de ocultar dados relevantes sobre o processo durante três anos.

"É verdade que o Banif foi entregue quase de borla ao Santander, resta saber se o anterior Governo tudo fez para que isso fosse possível", afirmou o deputado do PCP Miguel Tiago, questionando se o objetivo do anterior executivo foi para esconder os problemas para fingir uma "suposta saída limpa" do programa de assistência financeira.

Mariana Mortágua, pelo BE, acusou o PSD de ter a "distinta lata de apontar as culpas a quem esteve dois meses no Governo", depois de passar três anos a "esconder" o processo negocial com a comissão europeia e a real situação do Banif.

O deputado do PS João Galamba acusou o PSD e o CDS-PP de terem "desvalorizado sistematicamente" o problema do Banif enquanto estiveram no governo e de terem ocultado dados sobre as posições da Comissão Europeia relativamente ao banco.

"Foi ocultado que a Comissão Europeia discordava da recapitalização do Banif nos termos em que foi feita no dia 1 de janeiro de 2013, foi ocultado que houve problemas nos últimos três anos", acusou Galamba, frisando que a venda do Banif ao Santander foi uma "decisão de urgência".

Mariana Mortágua mostrou-se incrédula com a queda do Banif apenas um ano e meio depois do colapso do BES.

E destacou: "Como é que é possível mais uma vez votarmos mais uma comissão de inquérito sobre um banco falido? Com que cara é que dizemos aos portugueses que, depois do BPP, BPN e BES, agora é o Banif?"

A deputada considerou que se está "a alimentar um monstro que será sempre grande demais para falir", isto durante a reunião plenária onde foi discutida a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito ao caso Banif.

A deputada do BE concluiu: "É verdade que os culpados são os gestores. Mas tão ou mais responsáveis são aqueles que deixam os banqueiros fazerem aquilo que bem entendem e estão sempre prontos para usar o dinheiro dos contribuintes".


Mariana Mortágua contestou que o Estado tenha gasto três mil milhões de euros "para entregar um banco limpo ao Santander".

Miguel Tiago sublinhou que "o governador do Banco de Portugal disse na altura da injeção de 1.100 mil milhões de euros [no Banif, em 2013] que era um bom negócio, já que dava uma taxa de 10%. Agora nem se fala na taxa, e nem os 1.100 milhões de euros se vão recuperar".

Daí, concluiu que os resgates à banca "servem os interesses do setor privado" e que só há uma solução para ultrapassar este problema, que "é ser o povo português o acionista dos bancos". Miguel Tiago lamentou ainda "que para os bancos há sempre todos os recursos, mas para servir os serviços do Estado esses recursos falham, dando resposta não às necessidades do país, mas aos acionistas dos bancos".

"O governo PSD/CDS optou pelo seu umbigo em detrimento do interesse dos portugueses", acusou Carlos Pereira, do PS, durante a discussão das propostas para a constituição de uma comissão de inquérito ao Banif em reunião plenária no parlamento.

"Compreendemos mal que o PSD e o CDS escondam o apodrecimento profundo do Banif entre 2013 e 2015, atirando para debaixo do tapete o desleixo de que são os principais atores", reforçou.

Segundo Carlos Pereira, esta escolha do anterior executivo prendeu-se com interesses partidários. "Dava jeito esconder por motivos eleitorais", realçou, de acordo com  a Lusa.