A primeira interpelação ao Governo, esta sexta-feira, no debate do Estado da Nação, no Parlamento, foi feito pelo vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e não pelo líder da bancada Fernando Negrão. Adão e Silva acusou Executivo de “estar a mutilar” o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O Serviço Nacional de Saúde está destroçado com as vossas políticas”, salientou Adão Silva. "Então viraram a página da austeridade e temos um Serviço Nacional de Saúde a cair aos bocados, mutilado, claudicante e sem servir as pessoas?", questionou.

O social-democrata apontou o caso da pediatria oncológica do Hospital de São João, no Porto, lamentando a atuação do Governo socialista e salientando que o investimento na saúde baixou mais de 52 milhões de euros no ano passado.

Não brinquem com as crianças", recomendou.

O deputado apontou ainda os exemplos do Hospital de São José, em Lisboa, "onde se demite gente", e da Maternidade Alfredo da Costa "onde fecham serviços".

Adão e Silva pediu explicações sobre a descida do investimento e a "trapalhada" das 35 horas na saúde.

No início da intervenção, o vice-presidente da bancada do PSD acusou o primeiro-ministro de, no seu discurso, não ter “falado no país real, no país das pessoas”, lamentando que não tenha referido a questão dos incêndios e referindo-se de forma escassa à saúde.

O ano orçamental que agora termina foi mau para os portugueses, deixa os portugueses mais frágeis, mais desamparados", defendeu.

Adão e Silva falou também da atual situação coligação de esquerda e assinalou os "frouxos aplausos" da bancada do PS ao discurso do primeiro-ministro.

A geringonça está num exercício de desmantelamento", sublinhou. "Antes eram as reversões e todo o contentamento estava aí, mas agora, embora se esforce por motivá-los, já lá não vai. Os senhores estão aos encontrões uns com os outros, como se vai ver no debate e isso não é bom para o país", criticou.

O vice-presidente da bancada acusou também António Costa de ser "inábil" e  apontou o caso do Infarmed. Adão e Silva referiuque o primeiro-ministro tem, na sua posse, um relatório que aconselha a transferência para o Porto.

Vai ou não para o Porto o Infarmed? Cumpre ou não cumpre a sua palavra?", questionou o social-democrata.

"Não vivemos o benefício do milagre"

Na resposta a Adão e Silva, António Costa revelou que é intenção do Executivo que o Infarmed se mude para o Porto.

É nossa intenção que o Infarmed seja mudado para o Porto, as condições da mudança foram avaliadas num relatório, quando tivermos a análise concluída, sem leviandade, tomaremos a decisão final, que, desejo, possa confirmar a nossa intenção", afirmou o primeiro-ministro, depois da pergunta de Adão Silva.

O chefe do Executivo defendeu que o Governo tem feito um enorme esforço para recuperar dos "quatro anos de cortes e desinvestimento" do Governo PSD/CDS.

"Nós não vivemos o benefício do milagre, vivemos um Governo que está a fazer um esforço para recuperar do brutal desinvestimento que durante os quatros anos sofreu o SNS", garantiu."Há uma coisa que os portugueses sabem: com os Governos do PS criou-se o SNS e melhorou-se a saúde e com este Governo acontecerá exatamente o mesmo", acrescentou.

 

"Acho estranho que não ache que falamos de pessoas quando falo das 80 mil pessoas que saíram da pobreza desde que deixaram o Governo, estranho que não perceba que falamos de pessoas quando falamos dos 300 mil novos postos de trabalho criados", disse ainda António Costa, acrescentando que "também são pessoas" os novos 7.900 profissionais contratados para o setor da saúde pelo atual Governo.

"Os Srs. arriscam-se a ficar par a história como carrascos do SNS"

Na mesma linha do PSD, o líder parlamentar do CDS-PP também apelou, esta sexta-feira, no debate do Estado da Nação, a que António Costa, depois de um discurso de "propaganda e um exercício de autojustificação", volte "à realidade" do país. Nuno Magalhães apontou baterias para a questão da Saúde e defendeu que o Governo se arrisca a ficar para a história como "carrasco do Serviço Nacional de Saúde".

 Aquele partido e aquela maioria, que tantas vezes falam no Serviço Nacional de Saúde, arriscam-se, se o senhor não puser um travão, e a responsabilidade é sua, às cativações Centeno, a ser o carrasco do Serviço Nacional de Saúde e ficar para a história com esse epíteto, senhor primeiro-ministro", defendeu Nuno Magalhães.

O deputado citou dez casos problemáticos de recursos humanos, técnicos e demissões na saúde, nos últimos meses por todo o país, para contestar que, como disse o ministro da Saúde, haja "empolamento" da situação no SNS.

Todo o país está a empolar ou são os senhores que estão a esquecer-se do país inteiro?", questionou, numa alusão à resposta de Adalberto Campos Fernandes sobre os casos das demissões no Hospital de São José.

Nuno Magalhães não só atacou a ausência de investimento público, designadamente na saúde e na educação, como criticou o aumento do imposto sobre combustíveis.

Quem sofre a austeridade na bomba de gasolina achas mesmo que se virou a página?", questionou.

O centrista criticou as cativações de Mário Centeno e "a austeridade cada vez mais mal disfarçada desta maioria", para salientar que a maioria que suporta o Governo "em vez de governar, governa-se, em vez de decidir adia, em vez de resolver os problemas dos portugueses, vai tentando resolver os seus problemas". 

As "cativações Centeno são o carrasco do SNS" e os "impostos Costa" contrariam a ideia de que se virou a página da austeridade, apontou Nuno Magalhães.

"Uma nação com cativações que encerram transportes, fecha escolas porque não há auxiliares, adia exames porque não há professores, fecha esquadras para ter o mínimo de polícias na rua e que, na saúde, vive uma situação de verdadeira rutura, em que o estado da nação do seu Governo é um estado de negação", defendeu."Quando é que o país deixa de ter um Governo em estado de negação e passa a contar com um Governo que trata da Nação?", quis ainda saber Nuno Magalhães.

"Não chegamos ao país do Nuno no país das maravilhas"

Na resposta a Nuno Magalhães, o primeiro-ministro insistiu em dados da saúde que já tinha mencionado na intervenção inicial, como o aumento de cirurgias, mais 19 mil, ou a diminuição do número de portugueses sem médico de família, que, declarou, passou de 14 para 7%.

Não chegámos ainda ao país das maravilhas, mas ajude-me a chegar", ironizou António Costa, falando da "extraordinária conversão do CDS" ao investimento público,

 

O chefe do Governo sublinhou que é o crescimento económico e, sobretudo, o aumento do emprego, que explicam a maior arrecadação fiscal e de contribuições para a Segurança Social. 

Os novos 300 mil postos de trabalho significam um aumento muito significativo de contribuições para a Segurança Social e é isso também que explica o aumento da carga fiscal. Há uma maior base contributiva, há mais pessoas empregadas e isso é um bom sinal", defendeu. "Ou prefere que haja mais desempregados e menor carga fiscal?", questionou .