O comissário indigitado Carlos Moedas considerou hoje que conseguiu passar a sua mensagem na audição no Parlamento Europeu e afirmou que a gestão do Horizonte 2020 irá definir o sucesso, ou não, do futuro comissário da Investigação e Ciência.

«Penso que consegui passar as três grandes prioridades para a Investigação, Ciência e Inovação», disse Carlos Moedas aos jornalistas, no fim de quase três horas de audição no Parlamento Europeu, em Bruxelas, em que respondeu a dezenas de perguntas dos eurodeputados.

Moedas teve hoje o seu «exame» perante a comissão de Indústria, Investigação e Energia (ITRE), o qual decorreu logo no segundo dia de audições dos comissários indigitados para a equipa da Comissão Europeia que será liderada por Jean-Claude Juncker. As audições começaram na segunda-feira e prolongam-se até 07 de outubro. Entre os eurodeputados, estavam os portugueses Carlos Zorrinho (PS), João Ferreira (PCP) e Marisa Matias (Bloco de Esquerda).

No fim, o ex-secretário de Estado adjunto do Governo de Passos Coelho escusou-se a referir qual acredita que será a decisão do Parlamento Europeu sobre a sua nomeação e voltou a repetir as prioridades que definiu para a pasta, a começar pela criação de «condições para baixar as barreiras e criar o Espaço Europeu de Investigação».

Definiu ainda como prioridade a concretização do programa Horizonte 2020, o maior programa orçamental gerido pela Comissão, com um orçamento de quase 80 mil milhões de euros.

«Ter a capacidade de gerir esse programa é, diria eu, crucial para o sucesso de um futuro comissário nesta área», afirmou Carlos Moedas.

Para terceira prioridade, defendeu que se deve continuar a apostar na ciência «mesmo em períodos de crise» e que seja dada «liberdade aos cientistas».

Apesar de a Comissão Europeia ser votada como um todo (o que sucederá a 22 de outubro próximo, em Estrasburgo), na sequência de cada audição a comissão parlamentar competente (ou comissões parlamentares, nos casos em que as pastas dos comissários são mais transversais) emite um parecer, e, se este for negativo, o presidente eleito da Comissão pode proceder a uma substituição do comissário, para evitar o risco de um «chumbo» do colégio no seu todo.

O ainda presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, viu-se forçado a proceder a mudanças na constituição das suas equipas tanto em 2004 como em 2009.

Com outros comissários designados em risco de chumbarem, com Carlos Moedas não se perspetivam dificuldades e deverá integrar a Comissão Europeia liderada por Jean-Claude Juncker, que deverá entrar em funções a 01 de novembro próximo.

Também o próprio presidente da comissão ITRE, que é igualmente o supervisor do conjunto das audições, Jerzy Buzek, antigo presidente do Parlamento Europeu, disse na segunda-feira que Moedas está em condições de «responder de forma excelente às questões».

Já hoje, após a audição, Buzek fez questão de sublinhar aos jornalistas o facto de Moedas ter estudado fora de Portugal no âmbito do programa europeu Erasmus e disse que a comissão ITRE vai lutar juntamente com a Comissão Juncker contra os cortes que o Conselho quer fazer no Horizonte 2020.