Cavaco Silva, na Madeira, e Passos Coelho, em Lisboa. Ambos manifestaram esta segunda-feira, de viva voz, solidariedade para com as vítimas da tragédia de Paris, com o Presidente da República a defender uma "resposta firme e sem contemplações" aos terroristas do Estado Islâmico. 

"É difícil encontrar palavras para caracterizar crimes tão hediondos. Importa que todos estejam bem conscientes que não foi apenas uma ataque à França, foi uma ataque a toda a Europa, um ataque ao mundo ocidental. Se a Europa quer continuar a ser continente de liberdade, democracia, paz e segurança, preservando o seu modo de vida, então os europeus têm de organizar-se para dar resposta firme e sem contemplações ao terrorismo", afirmou, numa visita oficial à Madeira. 

Cavaco Silva advertiu, assim, que a situação "exige que os Estados europeus trabalhem de forma unida e conjunta, coordenando, coordenando". "A coordenação é fundamental. A segurança das pessoas é um bem precioso", insistiu. 

"Para defender essa segurança é preciso afetar meios humanos, financeiros e materiais apara a preservar. Estamos confrontados com um inimigo tão violento quanto sofisticado. Para enfrentá-lo, são precisos meios poderosos. Caso contrário, será difícil vencê-los".


O chefe de Estado mostrou-se "convencido" que a Europa, depois do que aconteceu em Paris, na Holanda, na Tunísia, no Líbano, "não pode continuar de braços caídos".

Contudo, acrescentou, importa que "todos estejam bem conscientes que não foi apenas um ataque à França, foi um ataque a toda a Europa, foi um ataque ao mundo ocidental".


"Se a Europa que continuar a ser um continente de liberdade, de democracia, um espaço de paz e tolerância, se quer preservar o sue modo de vida, então os europeus têm de organizar-se para dar uma resposta firme, determinada, sem contemplações aos terrorismo", disse.

Numa declaração sem direito a perguntas, o Presidente da República vincou que a defesa dos valores europeus "que os terroristas querem pôr em causa" exige um trabalho conjunto dos Estados europeus, "cooperando, coordenando" e utilizando "os meios que sejam necessários para combater o flagelo do terrorismo".

Também Passos Coelho entende que "é urgente encontrar respostas conjuntas". Depois de cumprir um minuto de silêncio, ao meio-dia, em homenagem às vítimas, o primeiro-ministro defendeu uma "melhor e mais reforçada cooperação em vários domínios, não só no plano da UE, mas também a nível internacional, uma vez que se trata de um fenómeno complexo, além fronteiras".

Em Portugal, foram dados "passos importantes" na deteção de ameaças. Passos Coelho deixou uma promessa:

"Não deixaremos de agir com determinação caso se justifique" 


Classificando os ataques de "hediondos", disse também que, nestes momentos, é preciso saber mostrar solidariedade e "valores comuns da tolerância, da paz e do salutar convívio entre todos", lembrando que os pilares do projeto europeu são esses.

"Não queremos nem podemos deles abdicar", afirmando a "rejeição ao ódio e ao terror", por parte de Portugal.


Na sua curta intervenção, Passos Coelho afirmou que "este é um momento de luto para todos os povos europeus".

"A nossa sociedade é uma sociedade tolerante, que preza a paz e o salutar convívio entre todos. Os pilares do nosso projeto europeu são esses mesmos e não podemos, nem queremos, deles abdicar", prosseguiu o primeiro-ministro português.

Passos Coelho enviou igualmente uma "palavra de forte alento" à comunidade portuguesa em França. "Quero que saibam que terão sempre o nosso apoio". 

"Quero, igualmente, deixar uma palavra de pesar às famílias das vítimas portuguesas, a quem, de resto, também enviei mensagem de condolências, e uma palavra de forte alento à nossa grande comunidade residente em França", afirmou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

"Os nossos pensamentos estão também com os nossos compatriotas, neste trágico momento que a todos repugna e afeta. Quero que saibam que terão sempre o nosso apoio", acrescentou.

Pedro Passos Coelho falava numa sessão de homenagem às vítimas dos atentados de sexta-feira em Paris, realizada nos jardins da sua residência oficial, em Lisboa, durante a qual, ao meio dia em ponto, se fez um minuto de silêncio.

Estiveram presentes nesta cerimónia os embaixadores dos Estados-membros da União Europeia em Lisboa e também o ex-presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que hoje de manhã foi recebido pelo primeiro-ministro português.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, disse à Lusa que, até agora, está confirmada a morte de dois portugueses: um homem, de 63 anos, vítima do atentado ocorrido junto ao Estádio de França, e uma mulher, luso-descendente, nascida em França em 1980, que estava na sala de concertos Bataclan.