O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, afirmou hoje concordar com a posição crítica do Governo sobre o uso do Panteão Nacional para jantares, como aconteceu na sexta-feira, no âmbito da Web Summit.

Concordo com a posição do Governo. Acho que o Panteão não deve ter essa utilização, o Governo vai tomar medidas, concordo com elas”

À margem da comemoração dos 75 anos do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, Medina foi questionado sobre se sabia do jantar de sexta-feira. Referiu não gerir o Panteão, acrescentou que não sabia e devolveu a pergunta aos jornalistas sobre se o presidente da câmara devia saber tudo o que se passa na cidade.

O Correio da Manhã noticiou hoje a realização de uma festa no Panteão pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL), “tutelada por [António] Costa”, com o diretor-geral da entidade a confirmar hoje que, em 2013, houve um evento dentro do Panteão, “que estava no mercado” e foi pago o aluguer.

Também questionado à margem do aniversário do aeroporto, Vítor Costa, manifestou-se surpreendido pela “leitura política que estavam a fazer”, ao envolverem o primeiro-ministro enquanto presidente não executivo da ATL.

Segundo o responsável, “é completamente falso” que António Costa tenha tido conhecimento da utilização do Panteão em 2013, por nem sequer ter como função saber do evento.

Não é a direção não executiva e muito menos o presidente da Câmara, que tem sido o presidente [da ATL] por inerência, que decide menus de jantares ou localizações. [Essas decisões são da] exclusiva responsabilidade dos serviços da ATL”.

Por isso, "o juízo sobre a utilização desse espaço [Panteão] para fins laterais ou complementares ao património é da responsabilidade de quem o gere”, afirmou Vítor Costa, acrescentando que as “questões, a filosofia geral, os princípios, a dignidade ou a menor dignidade tem que ser feita por quem disponibiliza os monumentos” e que a ATL neste processo é cliente.

A associação, disse, “realiza, por vezes, centenas ou milhares de ações promocionais por ano, e utiliza monumentos, alugando-os normalmente e para promover o próprio monumento, muitas vezes, e também a cidade”.