O Partido Pessoas Animais Natureza vai avançar com uma queixa-crime contra o município e tutora do animal da “queima do gato”, em Mourão, Vila Flor, no distrito de Bragança. Um caso que o Ministério Público mandou investigar

O PAN defende que o município que tinha a organização deste evento popular a seu cargo “tem responsabilidade sobre o ato bárbaro que se praticou contra o animal em plena praça pública". Concretizará o mesmo procedimento contra a tutora do animal, “que aparentemente consentiu na sua utilização para estes fins”, lê-se num comunicado que é citado pela Lusa.

O partido informa ainda que já denunciou ao SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR este ato de violência que teve lugar nas Festas de São João de Mourão e que gerou uma onda de indignação nas redes sociais depois da divulgação do vídeo na Internet.

O caso motivou também várias denúncias no posto da GNR de Vila Flor que deram origem a um inquérito judicial em curso no tribunal local, que delegou naquela força de segurança as diligências para identificar os autores do ato.

Também a associação de defesa dos animais Grupo Gato Urbanos anunciou hoje que vai avançar com uma queixa-crime no Departamento de Investigação e Ação Penal, constituindo-se como assistente do processo, “com o objetivo de levar à justiça os responsáveis e cúmplices e para que esta barbara e vergonhosa prática não se repita mais”.

O crime foi denunciado pela associação MIDAS (Movimento Internacional em Defesa dos Animais) através do vídeo com a duração de cerca de cinco minutos que “mostra um gato colocado dentro de um recipiente de barro e levantado a alguns metros de altura, num poste”.

O posto é coberta de palha e ateado fogo até o pote cair ao chão com o animal que começa a correr em chamas desorientado em volta do lume e entre a população.

“Nunca morreu nenhum gato e este está bem, a GNR já o veio ver”, afirmou hoje à Lusa Aida Alves, habitante de Mourão que encara como “ridícula” a situação que está a gerar-se em torno do caso.

Com 80 anos, Aida Alves garantiu que desde sempre que existe esta tradição associada às festas de São João e que “há três ou quatro anos que é (usado) o mesmo gato”. Segundo contou à Lusa, é um habitante da aldeia que tem gatos que oferece o animal para este ritual.

O caso já foi também repudiado pela associação de defesa dos animais de Bragança AMICA que classificou o que se passou em Mourão “um ato de crueldade” e incompreensível que as autoridades tenham permitido que tal ato pudesse ter sido cometido.

“Exigimos, tal como muitas outras associações do país e cidadãos comuns, que a justiça seja feita e que esta barbárie não volte a acontecer”, reclama esta associação.