É já a segunda vez que a coligação Portugal à Frente é recebida com protestos. Ontem, no Cadaval, pelos clientes lesados pelo BES, esta segunda-feira, em Faro, por um grupo de pais e alunos que se manifestavam pelo direito ao ensino artístico e articulado.

Na rua, frente à Escola de Hotelaria, que foi transformada em recinto para um jantar-comício, chegaram ao início da noite cerca de duas dezenas de pessoas “armadas” de pandeiretas e apitos. Também já os esperavam poucos agentes da PSP que, discretamente, aguardavam pelo início do protesto - e pela chegada dos candidatos da coligação -, organizado via Facebook, e encabeçada por João Martins. Era cedo, Passos Coelho e Paulo Portas demorariam ainda uma hora - vinham de uma exploração agrícola de framboesa em Tavira - e João explicava à TVI24 que estava ali porque o filho soube apenas no início do ano letivo que, afinal, não tinha professor, nem turma, nem ensino artístico.

“Roubaram o financiamento ao ensino artístico e articulado. Deviam ter vergonha! Vergonha”

Uma hora depois, já o protesto tinha ganho corpo: já os militantes do PSD e CDS tinham chegado ao comício, já a JSD esperava na rua por Passos e Portas; e já pais e crianças entoavam frases de protesto:

“Nós só queremos coelho à caçador, coelho à caçador, coelho à caçador", era um dos gritos de ordem, que ia cadente ao som do bombo; depois passavam para o cerne da questão: “Queremos ensino articulado, queremos ensino articulado”, “vergonha, vergonha. Ladrões, estão a roubar o financiamento ao ensino, um país sem artistas é um pais fascista”


Para abafar o som do protesto, um carro da campanha passava frente aos manifestantes com a música da coligação bem alta nos megafones. Ao despique, os país gritavam mais alto. E é neste ambiente que chega o primeiro-ministro e é também nessa altura que os elementos da jota avançam para sobrepor com "Portugal, Portugal, Portugal, Portugal" a "vergonha, vergonha, devia ter vergonha" e assim minimizar o impacto daquele mini-protesto que era pequeno em número, mas fazia barulho. Dizia: os jotas atravessam a rua de bandeira em riste e ficam frente-a-frente com os manifestantes, só os agentes da PSP os separam.

Mas a tensão dura uns segundos: Passos entra no edifício, deixando para trás os protestos e a máquina partidária tem ordem para arrancar com o hino da campanha para anunciar o duo da coligação. É Portas que começa, como sempre, e também Portas que como já vem sendo hábito faz as despesas do ataque ao Partido Socialista.

Desta vez para mostrar a “inconstância” de António Costa, que quando era comentador no programa Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, disse que "PS e PSD devem oferecer condições recíprocas de governabilidade 
abstendo-se em instrumentos fundamentais da governação"​. Falava, claro, da importância de assegurar que o Estado tinha um Orçamento para governar o país. Mais uma vez, o secretário-geral socialista é criticado por ter dito que, caso perca as eleições - e num cenário de maioria relativa no Parlamento - não deixará passar o Orçamento do Estado para 2016.

Segue-se Passos Coelho, que sobe ao palco, e aproveita para corrigir o "lapso" do almoço. O primeiro-ministro tinha dito, em Beja, que o Estado ia antecipar o pagamento de 5,4 mil milhões de euros ao FMI. Mas afinal, não era nem um pagamento antecipado, nem ao Fundo Monetário Internacional. Era antes um pagamento nesse valor de Obrigações do Tesouro, contraídas há dez anos pelo governo socialista [Leia mais aqui], e que vence a 15 de outubro, altura em que será reembolsado.