É na reta final que se dramatiza o discurso e o comício desta quinta-feira à noite, no Porto, serviu para isso mesmo: o presidente do PSD carregou na ameaça socialista, caso a coligação vença sem maiora parlamentar.

"É importante que os portugueses escolham com clareza o Governo que querem para Portugal, não lhes vá sair na segunda-feira um Governo diferente daquele que eles escolheram nas eleições de domingo”, disse, ao final da tarde, na Praça D. João I, depois da tradicional arruada em Santa Catarina.


  “Não é uma questão artificial”, sublinhou, para garantir que as ameaças não metem medo: “Eu nunca tive medo, os portugueses também não. O que nós queremos é não fiquem sem resposta as ameaças que estão a ser feitas aos portugueses. E essas ameaças partiram de quem tem a ambição de governar”.
  Passos Coelho explica à assistência para quem não acompanhou o folhetim político dos últimos dias: “Foi dito com clareza: se a coligação ganhar, mas não tiver maioria no parlamento, não terá orçamento e não terá o seu programa
aprovado no parlamento. Isto foi dito".

Numa resenha dos últimos quatro anos, que Passos considera ser o cartão de visita da coligação para renovar a maioria, deixou uma pergunta a quem o ouvia, sobretudo em casa, pela televisão: "Por que é que uma maioria a partir deste domingo haveria de ser pior do que aquela que nos livrou do resgate e nos trouxe o crescimento da economia?".

"Se podemos escolher com clareza o nosso caminho, para quê deixar a dúvida a quem não temos a certeza se não cumprirá com as suas ameaças? Não é melhor dar as condições que são necessárias para que aqueles que escolhemos para governar o possam fazer?”

 

 “Eu ou o caos?”: “Nem ele, nem o caos”
 

Antes do número 1 da lista por Lisboa, falou o número 2, e o discurso foi no mesmo tom: o presidente do CDS-PP defendeu que o secretário-geral do PS está a ameaçar o país e a resposta deve ser só uma: “maioria e estabilidade”.

António Costa “já garantiu que vota contra um Orçamento que não conhece e bloqueia o programa do Governo que os portugueses escolheram. Esse excesso, esse radicalismo, essa ameaça do ‘eu ou o caos' deve ter uma só resposta: nem ele, nem o caos, maioria e estabilidade", afirmou Paulo Portas, referindo-se a António Costa.

No comício na Praça D. João I, o líder do CDS acusou Costa de seguir uma linha “muito diferente da tradição do socialismo democrático em Portugal, em desespero começa a insinuar que quer organizar uma frente radical para a gestão do país".

E quer saber se o plano B para governar sem maioria implica fazer um acordo com o PCP ou o BE.

"Com quem governaria? Com o BE? Com o PCP? Que consequências teriam essas alianças na relação de Portugal com o euro ou com a Europa?”

A ameaça que paira sobre o dia seguinte às eleições é real, garante: “Connosco os portugueses sabem quem governa, com o PS não fazem ideia a quem eles entregarão o governo do país".