Na reta final da campanha, faltam apenas dois dias úteis, os piores receios da coligação Portugal à Frente agigantam-se nos discursos. Perante um pavilhão cheio, em Viseu, Passos Coelho deixa claro o aviso: com a união da esquerda no Parlamento "uns podem ganhar eleições e ser outros governar”.

“O que se prepara no dia seguinte é um governo que não respeita a vontade dos portugueses”, diz, para explicar:
"Já foi prometido, já houve quem o tivesse dito com todas as letras":

 


- "Não pensem os senhores lá porque ganham as eleições que vão governar...
- Porque se o senhores não tiverem maioria, nós podemos juntar-nos todos e fazer um governo diferente”.



Um receio que se pode materializar no dia 5 de outubro. “Na segunda-feira é tarde demais”, sublinha. “Vivo bem com a escolha dos portugueses: não amuamos, nem fazemos birras. Mas queremos, enquanto é tempo, chamar a atenção para aquilo que pode acontecer se não tivermos uma maioria decidida no Parlamento”.

Há várias formas de dizer “maioria absoluta” sem nunca a referir: depois da "maioria grande e boa", a "decidida". E insiste: “O que se prepara no dia seguinte é um governo que não respeitará a vontade maioritária dos portugueses nas eleições”. Para isso é preciso uma “maioria estável, com condições para que o país se possa governar”.

Na plateia, na mesa da honra, Rui Rio, putativo candidato presidencial assiste aos discursos. Primeiros os candidatos pelo distrito, depois os líderes da coligação, mas o antigo autarca do Porto não sobe ao palco; a “honra” até agora foi apenas reservada a Marques Mendes.

Explicam, na campanha, que Mendes foi líder do PSD. Mas Rio tem credenciais também a mostrar: foi secretário-geral de outro quase candidato presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa. E vice-presidente de Durão Barroso, Santana Lopes e Ferreira Leite. Mas hoje não fala. É Durão Barroso que aparece no ecrã gigante da sala, numa mensagem gravada, tal como tinha já aparecido Fernando Nogueira, em Santa Maria da Feira.

 

“Se as pessoas têm medo do PS? Probleminha do PS”


Antes de Passos, como sempre, sobe Portas ao palco e desta vez há menções aos socialistas, com um discurso mais inflamado do que os dos últimos dias.

O presidente do CDS-PP considera que as pessoas sabem que “o país está a melhorar” e, por isso, receiam um Governo PS. “Se as pessoas têm medo do PS? Probleminha do PS”, diz, para continuar ao ataque: o vice-primeiro-ministro acusa os socialistas de terem uma “relação muito difícil com a verdade” e ficam “caladinhos que nem ratos” perante os indicadores económicos do país que têm vindo a melhorar.


Cavaquistão, Passistão ou PAFistão?


O dia foi dado a palavras homófonas, com o autarca de Lamego a presentear Passos Coelho com um novo nome para o Cavaquistão. E se ao fim de duas décadas, Viseu nunca deixou de ser um declinação do nome de Cavaco Silva, que no distrito conseguiu vitórias retumbantes, em cinco minutos havia já duas alternativas:  Passistão ou PAFistão. Afinal, em que ficamos?  “As duas coisas”, diz Passos Coelho, na arruada pelo centro da cidade.

Para primeiro-ministro é Passistão, para o Governo é PAFistão. Não é? É uma boa coligação"... e uma divisão salomónica que assim não deixa Portas de fora.



Comício em Viseu com mais de 4 mil apoiantes



É tradição de Viseu receber bem, sobretudo os líderes do PSD, e no jantar-comício no pavilhão multiusos há até uma varanda com mesas, no primeiro piso, com vista para o palco - para que haja lugar para mais duas centenas de pessoas - e, no R/C, na sala principal não é fácil circular: ao todo são mais de 4 mil, garante o secretário de Estado, e candidato pelo distrito. António Leitão Amaro.

É uma forma de dizer: "Doutor Passos Coelho, bem-vindo ao Passistão".