No primeiro dia oficial de campanha, e depois de uns metros apenas de arruada em Sintra, com direito a paragem na histórica pastelaria Piriquita para uma queijada, Passos Coelho clarificou, em declarações aos jornalistas, uma dúvida que, na véspera, tinha ficado no ar: aprovar um Orçamento de Estado do PS, caso perca as eleições? O líder da coligação Portugal à Frente garante:

“Nós nunca seremos oposição ao país”. 




 
No sábado à noite, o presidente do PSD criticou o chumbo do Orçamento que o líder socialista havia prometido, caso a coligação seja eleita. "Esta não é a atitude que se espera de alguém que quer ser primeiro-ministro", disse referindo-se a António Costa, que garantiu não deixa passar o Orçamento do Estado para o próximo ano, no Parlamento, caso a coligação Portugal à Frente seja eleita governo.

Num almoço-comício em Ourém, e depois de uma manhã dedicada à agricultura, Passos Coelho foi claro: "O líder do PS não está a dizer que vai votar contra o Orçamento do Estado do próximo Governo, vai é votar contra o país e Portugal, a não ser que seja primeiro-ministro. Estas atitudes não podem passar em claro". "Não podemos deixar passar em claro certo tipo de comportamentos. Não pode passar em claro aqueles que num dia reunido com empresários enfatizam a importância da estabilidade, e dois dias depois dizem que se não ganharem as eleições votam contra o Orçamento, mesmo - como disse o dr. Portas e bem - sem saberem como vai ser o Orçamento", reagiu o primeiro-ministro, no discurso para o centro de negócios de Ourém, que já o esperava há mais de uma hora.

Depois do puxão de orelhas a Costa, Passos ainda voltou a insistir no entendimento pós-eleitoral na segurança social, repetindo o repto lançado no último frente-a-frente. "Espero que no dia a seguir às eleições, aconteça o que acontecer, possamos sentarmo-nos à mesma mesa para acordar reformas importantes, sobretudo a reforma das reformas que é a segurança social".