O discurso vai mudar ligeiramente no arranque da segunda semana de campanha, na estrada. O líder da coligação Portugal à Frente tem trazido para o discurso uma grande fatia do seu eleitorado, que lhe deu a vitória em 2011, mas que está de costas voltadas ou, pelo menos, hesitante sobre em quem votar no próximo dia 4.

E a razão é simples: é que são estes os que mais penalizados foram nos últimos anos de assistência financeira: cortes nas pensões, nos salários, subida de impostos. E, por isso, por terem sido os que mais contribuiram para que o país sobrevivesse ao Fundo Monetário Internacional também é justo que agora sejam os mais beneficiados.

Passos Coelho já o tinha avançado em Santa Maria da Feira, num comício que juntou 6 mil pessoas. Ontem, em Penafiel, metade dessa assistência, e a mesma promessa, com detalhe: serão os funcionários públicos, os pensionistas e os contribuintes a suspirarem de alívio, caso votem Portugal à Frente.

A mensagem não é só bondade, é que o valor recorde de indecisos que surge nas sondagens dizem ao PAF que é preciso pensar nos perigos da abstenção: sobretudo se uma grande fatia dessa abstenção for o eleitorado clássico do PSD/CDS-PP.

"O nosso inimigo agora é a abstenção", disse Jorge Moreira da Silva, na Penha, Guimarães, perante uma sala cheia de apoiantes. O candidato pelo distrito de Braga falou antes do duo da coligação e Passos apanhou o mesmo fio, para dizer que é preciso "estabilidade" e como as "sondagens não votam", os portugueses tem de "escolher o que vai acontecer nos próximos anos".

Passos reitera o pedido: "precisamos de uma maioria para Portugal, não para o Governo", que na arruada pelo centro histórico, apelidou de "grande e boa", "não para sonhar, apenas, mas para, agora, atingir a prosperidade".