Foi uma receção calorosa a de Guimarães, este domingo, mas a coligação Portugal à Frente evitou o largo do Toural. É um barómetro de campanha, as caravanas costumam lá passar. A opção foi pelo centro histórico, ruas e vielas que passam pelo Largo da Nossa Senhora da Oliveira.

À entrada do centro de apoio à criança, que Passos Coelho visitou sem a presença da comunicação social, o candidato da coligação, entusiasmado pelo caminho que tinha acabado de percorrer, rodeado de apoiantes e bandeiras, diz aos vimaranenses que acredita "na escolha da maioria dos portugueses".

"Andamos de alma cheia, mas não temos o rei na barriga", disse aos que, a um domingo de sol, quiseram ver o primeiro-ministro ao vivo e dizer-lhe que Guimarães está com ele.

 

Com algumas centenas de pessoas a gritar "bitória, bitória, bitória, bitória", Passos é contagiado pelo ambiente de festa e acaba por pedir "uma maioria grande e boa".
 


De microfone na mão, para que o ouvissem nas artérias em volta da praça de S. Tiago, admitiu que esta campanha tem sido "uma longa caminhada", que está "numa dinâmica de vitória", com mais "gente se quer juntar a nós". 

Afinal, nesta altura, sublinha, "o país já não está em emergência social", como há 4 anos, e por isso, "agora, vamos ter oportunidades para todos".

A começar pelos funcionários públicos, pensionistas e contribuintes da classe média, que sofreram durante o período de resgate, uma informação revelada ontem pelo primeiro-ministro, em Paços de Ferreira, no jantar-comício da noite. São no fundo os tradicionais votantes no PSD, ou no CDS, que apostaram em Passos ou Portas em 2011, mas que estão ainda hesitantes e indecisos: os últimos 4 anos deixaram marcas nas convicções políticas de funcionários públicos e pensionistas; e na classe média, fustigada por uma elevada carga fiscal.

Em Santa Maria da Feira, num jantar-comício, que juntou mais de 6 mil apoiantes, o líder do PSD deu "o tiro de partida" para a segunda fase - que é também a segunda semana - do discurso político voltado para aqueles que foram mais penalizados durante os 4 anos de resgate:

"É justo que os que estiveram na linha da frente dos sacrifícios sejam agora os primeiros a ser beneficiados". 


Em Vizela, onde começou o dia, Passos Coelho recebeu do presidente da concelhia do PSD o pão-de-ló típico da região: duas caixas, uma para o caminho, outra para a mulher. Mas as ofertas não se ficaram por aqui: houve uma pequena estátua feita por artesões locais e ainda um cachecol do clube de Vizela - "Sou do Benfica", disse, "mas sou muito tolerante. A minha mulher é do Sporting".

Dali, com mais um café no estômago para aguentar o dia cheio, a coligação viaja para Guimarães onde, depois do passeio no centro histórico, ficará para almoçar; num hotel, a poucos quilómetros do centro, com a vista própria do alto da serra da Penha. Na mesma sala onde foi firmada a coligação entre PSD e CDS, e que Portas considera ser a "sala talismã".