O Partido Ecológico Os Verdes acusou o Governo de recuar na contratação de mais profissionais de saúde para colmatar as necessidades com a passagem às 35 horas semanais de trabalho, acusando o executivo de falta de planeamento.

O deputado do PEV José Luís Ferreira lembrou que o Governo tinha indicado, há duas semanas, que contrataria agora cerca de dois mil profissionais e que, em setembro ou outubro, teria outra vaga adicional de contratações.

Ontem [na quarta-feira], o ministro da Saúde veio dizer-nos que provavelmente não haveria condições para contratar os profissionais necessários. A confirmar-se este recuo do Governo significa que vai continuar a estar em causa a qualidade dos serviços prestados, as listas de espera, o adiamento de cirurgias”, afirmou o deputado na interpelação hoje feita ao Governo sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na comissão parlamentar de Saúde realizada na quarta-feira, o ministro Adalberto Campos Fernandes disse que, a partir de setembro, haverá uma reavaliação das necessidades de contratação de pessoal além dos 2.000 que serão contratados agora. Mas, há cerca de duas semanas, o ministro tinha referido, também no parlamento, que em setembro ou outubro haveria uma nova vaga de contratações.

Para o PEV, o Governo não planeou adequadamente a passagem dos trabalhadores da saúde às 35 horas de trabalho a partir de 1 de julho e não soube antecipar “o cenário que se vive nos hospitais”, apesar dos vários avisos.

A passagem para as 35 horas não foi uma gripe que apareceu de repente. Estamos a falar de uma medida que estava prevista desde 2017 e o Governo só anuncia a contratação de mais dois mil profissionais uma ou duas semanas antes da entrada em vigor dessa medida”, declarou José Luís Ferreira no seu discurso no plenário do parlamento.

O PEV quer que o Governo explique o recuo na contratação de mais profissionais a partir de setembro e pede que se garanta que “a passagem às 35 horas terá impactos positivos nos serviços de saúde, nos doentes e nos profissionais”.

Na área da saúde, “as notícias sucedem-se e os casos acumulam-se a um ritmo muito preocupante”, afirmou, lembrando, contudo, que tem havido reforço de profissionais com o atual Governo, mas considerando-o insuficiente.

O Partido Ecologista Os Verdes não esqueceu ainda que "foi pela mão do anterior Governo PSD-CDS" que a saúde "perdeu mais de sete mil profissionais".