O Partido Ecologista "Os Verdes" vai prosseguir o trabalho de negociação com o PS para uma alternativa governativa, com "toda a delicadeza", a fim de colocar a coligação PSD/CDS-PP na oposição, sem participar num eventual executivo de esquerda.

A dirigente ecologista Manuela Cunha, após novo encontro com socialistas, no Parlamento, reiterou que "Os Verdes" estão "extremamente empenhados em encontrar pontos de convergência", algo que "dá trabalho, um trabalho novo", de "tentar limar arestas, de forma a servir o país e os portugueses", tendo ficado "em cima da mesa mais reuniões e trabalho conjunto" nas próximas horas e dias.

"Há matéria que já se consensualizou. Há matéria também já eliminada, sobre a qual não há consenso possível. O que estamos aqui a fazer é a busca de mais e melhores consensos", continuou a membro da comissão executiva do PEV, referindo-se "não só" a "propostas concretas de governação", mas também "à forma como elas se vão efetivar", pois "isto tem toda uma delicadeza... porque os grupos parlamentares e os partidos têm políticas e programas diferentes".

Segundo Manuela Cunha, o PEV recusa-se a "fazer como outros", pois "acordos são acordos e fazem-se em reuniões, de forma séria, e quando houver resultados serão públicos", numa clara alusão a declarações anteriores da porta-voz do BE, Catarina Martins.

Sobre as afirmações do primeiro-ministro e presidente do PSD, Passos Coelho, que admitiu estar preparado para ocupar o lugar na oposição se se confirmar a queda do executivo conjunto com o democrata-cristão Paulo Portas, por ação da maioria de esquerda, a dirigente do PEV sentenciou o lugar do atual chefe de Governo.

"Ele lá saberá. Se calhar, já devia estar na oposição desde o momento em que o Presidente da República decidiu qual seria a composição do Governo", afirmou.

Hoje mesmo, os bloquistas anunciaram, na Internet, a conclusão das negociações com o PS, considerando que estão criadas as condições para um acordo à esquerda, mas remeteu a divulgação de pormenores sobre o acordo com os socialistas para depois da aprovação da decisão por parte dos outros partidos ainda em conversações.

A reunião bilateral de hoje entre PEV e PS era suposto ser a derradeira, mas a troca de propostas constante entre as diversas forças políticas obrigou à reanálise de diversas matérias, segundo Manuela Cunha.

Também o PCP, que tem concorrido às eleições com o PEV na Coligação Democrática Unitária (CDU), confirmou hoje à Lusa que os seus dirigentes continuam "a trabalhar" num possível acordo com os socialistas para viabilizar um executivo liderado pelo secretário-geral, António Costa.

Tanto comunistas como ecologistas excluem, para já, a participação formal num futuro Governo de esquerda, adiantaram à Lusa outras fontes.

A Lusa questionou igualmente o PS, mas a assessoria de Costa, remeteu esclarecimentos para uma entrevista que o líder socialista tem hoje agendada com a televisão SIC, pelas 20:00.