O presidente do Governo dos Açores afirmou que o aumento dos impostos na região em 2014 poderia ter sido evitado se o Governo português tivesse negociado essa mudança com a troika.

«Num momento em que o Governo da República já alterou tantas e tantas determinações da troika, também poderia ter alterado esta e permitido que continuássemos a gozar dos 30% [de diferencial fiscal]», afirmou Vasco Cordeiro, no plenário do parlamento dos Açores, na Horta, durante o encerramento do debate dos documentos orçamentais da região para 2014 (Orçamento e Plano anual de investimento).

O socialista destacou, no entanto, que a revisão da lei das finanças regionais tem um lado positivo, porque «se salvaguardou» a sua existência e, assim, «a previsibilidade e segurança do relacionamento financeiro» entre os Açores e a República.

Esta aspeto contribuirá, afirmou, para que o próximo ano possa ser o da «estabilização» de «setores fundamentais» para o «crescimento económico» dos Açores.

Destacando que os Açores terão um reforço de verbas, disse que esses fundos serão a «mola impulsionadora ao investimento público e privado» e garantiu que o executivo regional «fez o seu trabalho de casa» e está em condições de entregar os programas operacionais «no mesmo dia em que isso for formalmente possível».

Partidos «exigem mais»

O presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, disse que «se exige mais» ao Governo Regional socialista, acusando o executivo açoriano de estar mais preocupado em combater a República do que a crise.

«Este Governo Regional desapareceu em combate contra o Governo da República e desapareceu do combate à maior crise financeira, económica e social da autonomia», disse Duarte Freitas.

Já o CDS-PP pediu um «novo modelo de desenvolvimento» para os Açores e saudou a abertura ao diálogo do Governo Regional socialista no encerramento do debate dos documentos orçamentais da região para 2014.

«Não são documentos maravilhosos, têm carências de investimento, em muitas áreas promovem apenas a continuidade das políticas socialistas. O Plano e Orçamento para 2014 precisa de melhorias», disse o deputado Artur Lima, que lidera o CDS-PP nos Açores.

Por sua vez, BE e PCP condenaram a proposta de orçamento dos Açores para 2014, por este prosseguir as mesmas políticas que já provaram não resolver os problemas da região.

«Baixas qualificações, baixos rendimentos, desertificação, falta de coesão regional, desemprego elevado, pobreza, dependência externa, escassa diversificação da economia, baixo valor acrescentado eram alguns dos nossos principais problemas há 30 anos atrás e continuam a sê-lo», disse o coordenador do PCP nos Açores, Aníbal Pires.

Também para a líder do BE nos Açores, Zuraida Soares, o Governo Regional socialista limita-se a propor «a continuação das políticas, das prioridades e das ações», que «em vez de abrandarem o caos social o têm aumentado».

«Todos sabemos que não está ao alcance do Governo Regional impedir esta tragédia da governação da República. Mas cabe ao Governo Regional ser aquilo a que se comprometeu, nas últimas eleições regionais: ser uma barreira às políticas nefastas do Governo da República. Infelizmente, o Governo Regional do Partido Socialista não tem sido uma "barreira" mas, antes, uma "rede" para as políticas do Governo PSD/CDS», afirmou.

O PS disse que aprovará propostas de quatro partidos da oposição para o orçamento regional de 2014, considerando que «este é o tempo de promover consensos».

«Temos divergências políticas e ideológicas com todos os partidos da oposição. É normal e saudável que assim seja. Mas isso nunca se pode sobrepor ao interesse coletivo, sobretudo no tempo de exceção que atravessamos», disse o líder parlamentar da bancada socialista.