Notícia atualizada às 21:06

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta quarta-feira que a proposta de Orçamento do Estado para 2015 é realista e não foi feita a pensar nas eleições e criticou os políticos que pensam que conseguem votos reduzindo impostos e aumentando salários.

«Evidentemente, este é um orçamento de realismo e é um orçamento que não é feito a pensar nas eleições. Eu sei que há políticos que acham que as eleições se ganham baixando impostos e aumentando salários. Devo dizer que tenho muitas dúvidas de que as pessoas, os eleitores, raciocinem exatamente nesses termos», declarou Pedro Passos Coelho, numa intervenção no encerramento de uma conferência, em Cascais.

A este propósito, o chefe do Executivo PSD/CDS-PP considerou ainda que seria incoerente descuidar agora o equilíbrio orçamental: «Com que cara é que o mesmo primeiro-ministro que durante três anos explicou ao país que precisávamos de cumprir as nossas metas, que não tínhamos outra escolha senão pôr a casa em ordem para ter a confiança dos investidores, para financiar a atividade económica e o Estado, haveria agora de lhes vir dizer que, porque há eleições, íamos baixar os impostos, aumentar os salários e prometer aquilo que não é realista?».

O primeiro-ministro afirmou esperar que, enquanto o Estado diminui a sua despesa, a economia portuguesa cresça por via do investimento privado e da aposta na inovação e nas exportações para fora da Europa.

«Estamos, portanto, a trabalhar para conseguir realizar esse objetivo que é: enquanto o Estado tem de encolher as suas despesas, a economia pode crescer, não por via do investimento público, mas por via do investimento privado. Isso já aconteceu no passado, não há razão para não acontecer agora», declarou Pedro Passos Coelho.

Depois de defender que a proposta de Orçamento para 2014 não foi feita «a pensar nas eleições» e é aquela «que a realidade consente», Passos Coelho acrescentou: «Evidentemente que tudo isto só fará sentido se nós formos capazes de cumprir o nosso plano de despesa pública e se a economia conseguir atrair o investimento necessário, a inovação necessária para exportar mais, e mais para fora da Europa - que não se prevê que cresça à medida das nossas necessidades».

«Temos, portanto, de continuar a insistir num caminho em que menos o Estado e mais a economia privada possa afastar escolhos e fazer apostas que permitam trazer mais investimento, mais valor acrescentado, mais emprego, que é aquilo de que nós precisamos para crescer sustentadamente», prosseguiu, concluindo que o Governo espera que a economia cresça «não por via do investimento público, mas por via do investimento privado».