No mesmo dia em que Catarina Martins disse, numa entrevista ao Público, que "todos os dias" se arrepende da geringonça, também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, deixou vários avisos ao Governo.  Primeiro: o Executivo não pode continuar "na ilusão" de que será possível promover o crescimento económico e, ao mesmo tempo, dar sempre um jeito para satisfazer a União Europeia. Segundo: entendimento celebrado entre os partidos tem limitações. Terceiro: o PCP não dá carta branca a ninguém no que toca ao Orçamento para o próximo ano. 

O Governo (PS) continua com uma certa ilusão de que é possível neste malha apertada dar um jeito, com alguma flexibilidade, e continuar uma política de desenvolvimento. Ora, não bate a bota com a perdigota e a contradição vai acentuar-se", alertou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa, que falava esta tarde na localidade de Vialonga, durante um piquenique organizado pela concelhia de Vila Franca de Xira do partido, referia-se assim às ameaças da União Europeia de aplicar sanções a Portugal em caso de incumprimento da meta do défice.

Na sua intervenção, que durou mais de meia hora, Jerónimo de Sousa falou também do entendimento de governação que o PCP fez com o PS ressalvando que a durabilidade deste Governo depende da capacidade dos socialistas responderem aos "anseios do povo português".

No que se refere ao Orçamento do Estado para 2017 estamos disponíveis para examinar e propor as soluções que sejam necessárias para repor os direitos perdidos pelo povo português. Tudo aquilo que for negativo e nos empurrar para trás votaremos contra", sublinhou.

O líder comunista aproveitou também para "lançar farpas" aos partidos mais à direita, nomeadamente ao PSD e ao CDS-PP , acusando-os de estarem "furibundos" com a reposição de direitos que está a ser levada a cabo pelo atual Governo.

A direita está furibunda. A cada direito reposto, a cada privatização que é travada a direita reage com raiva e vem dizer que estão a estragar tudo o que tinham feito", concluiu.