Manuela Ferreira Leite foi muito dura para com o atual Governo. Na leitura dos acontecimentos dos últimos dias, a comentadora da TVI24 rejeitou por completo a proposta de remodelação governamental que transformaria Paulo Portas e vice-primeiro-ministro e Pires de Lima ministro da Economia.

«Qualquer pessoa que conheça minimamente o PSD, eu faço parte dessas pessoas, a última coisa que o partido poderia aceitar seria essa proposta, que o Presidente do partido fez. O Partido não aceitaria uma coligação com o CDS-PP em que o CDS-PP fosse a parte forte da coligação. É algo que não faz parte do ADN do PSD, sempre tem havido em coligações uma certa tensão e preocupação com as posições relativas», disse, acrescentando:

«Numa proposta que foi feita, em que se transmitiu a ideia de que a parte de leão do Governo, a parte decisiva, ficava com o CDS-PP, não era nada que fosse susceptível de ser aceite pelo partido. Juntando a isso o facto de ter anunciado que havia um acordo para listas conjuntas para o Parlamento Europeu».

«A proposta do Presidente é arriscada e um caminho estreito»

«Do ponto de vista do partido acho que seria uma proposta que não teria a mínima hipótese de ser aceite. Qualquer órgão, num conselho nacional ou num congresso, seria algo de inimaginável o partido aceitar. Da mesma forma que no CDS-PP também não aceitaram a primeira iniciativa do Paulo Portas, da demissão», frisou, explicando que «os partidos não aceitam tudo aquilo que os líderes dizem que querem fazer, por isso é sempre bom consultá-los antes dessa decisão ser tomada».

«Tirámos o brinquedo ao menino que tinha feito uma birra»

«Aquele anúncio já perspetivava que alguma coisa não poderia ser bem sucedida, porque não era uma proposta que o partido aceitaria», asseverou, não conseguindo perceber porque é que «ignoraram os partidos num ponto sensível».