«Eu concluí que isto não tem solução nenhuma, nem em 20 nem em 30 anos. O "pastelão" que está montado no sistema escolar português é absolutamente inviável. Conduzida à distância, não se sabe se a máquina escolar é capaz de funcionar sem ser conduzida», afirmou nesta segunda-feira à noite o comentador da TVI24.

«Os chefes gostam de coisas confusas. Eu não me candidato a ministro da Educação, mas a primeira coisa que faria era chamar pessoas que sabem, e agora temos que desmanchar esta máquina toda», disse também Henrique Medina Carreira.

No programa desta noite dedicado ao estado do ensino em Portugal, Medina Carreira considerou ainda: «A educação foi o grande falhanço da Revolução de Abril.»

«Monstro burocrático»

A convidada de hoje foi Maria Filomena Mónica, que falou sobre o seu recente livro «A Sala de Aula». «Os sucessivos ministros [da Educação] conseguiram criar um monstro burocrático que fiscaliza os professores e os impede de pensar, os impede de ensinar e os transformou em robôs», salientou sobre a falta de autonomia e de descentralização.

«Se dermos autonomia [às escolas], temos que ter uma inspeção fora do Ministério [da Educação]», considerou Maria Filomena Mónica.

«Como os professores não conseguem pôr faltas injustificadas, nem castigos, sem intervenção do diretor [de escola] e do Ministério [da Educação], os alunos fazem o que querem nas aulas, humilham os professores mais fracos», sublinhou igualmente a autora, referindo-se a uma «indisciplina reinante».