Marcelo Rebelo de Sousa considera que o Tribunal Constitucional (TC) só vai considerar constitucionais medidas como a Contribuição Extraordinária de Sustentabilidade (CES) quando existir um entendimento entre o Governo e o Partido Socialista, ou entre um hipotético Governo Socialista e o PSD.

No comentário habitual no «Jornal das 8» da TVI, Marcelo vai mais longe e afirma que se o candidato à liderança do PS, António Costa, for primeiro-ministro, com Rui Rio, por exemplo, como seu vice-primeiro-ministro, será mais fácil para o TC deixar «passar» medidas chumbadas ao atual Governo de Passos Coelho.

«Só no dia em que houver substancialmente uma concordância entre esses partidos [Governo e PS], ou seja, no fundo, o PS dar uma concordância ao Governo, ou o PS estar no Governo, ou estão os dois, ou o PS está no Governo e o PSD dá concordância, nesse caso eu acho que o TC de repente deixa de ter estas exigências metafísicas da reforma estrutural. Dito de outra maneira, António Costa é primeiro-ministro, com Rui Rio como vice-primeiro-ministro, e apresenta uma contribuição de sustentabilidade, não digo semelhante a esta, é mais fácil passar [no TC]».

Marcelo Rebelo de Sousa comentou, também, o discurso do primeiro-ministro na Festa do Pontal, que decorreu depois do anúncio do «chumbo» do TC, e considera que as palavras de Passos Coelho refletem, não só, um espírito de insatisfação face a mais uma «derrota» com os juízes, mas também, um sentimento de «missão cumprida» para com o país.

O comentador considera que Passos Coelho está «farto» dos «chumbos» do TC e que já terá percebido que as medidas só passarão com um Governo socialista.

«A parte em que ele foi mais convicto no seu discurso foi quando disse "eu já não apresento mais nenhuma proposta (...) estou farto». Ele [o primeiro-ministro] não disse, mas [foi um] estou farto. (...) A minha leitura do que Passos Coelho disse foi: eu recuperei financeiramente o país e, portanto, cumpri a minha missão, fiz o que tinha a fazer, fui um ciclo. Agora há um novo ciclo na vida portuguesa, esse novo ciclo implica medidas estruturais, [e] já percebi que a primeira que eu apresento, e já de várias formas, não passa. Não passa agora, nem vai passar e eu não estou para tentar mais uma ou duas vezes. Já percebi que só passa com o PS».

Marcelo comentou, ainda, a luta interna do Partido Socialista, entre Seguro e António Costa, e considera que nenhum dos candidatos vai apresentar propostas concretas um ano antes das eleições, para não correr riscos de as perder.

«[Revelar os programas] só se fossem doidos. Estão a concorrer para liderar um partido, para ser candidato a primeiro-ministro, e a um ano de distância [não] vão dar os trunfos todos sobre o seu programa eleitoral. Seguro, que é muito ingénuo, ia quase fazendo isso, já António Costa é tudo menos ingénuo, é um macaco de rabo pelado».