Constança Cunha e Sá acusou este domingo o primeiro-ministro de ter feito «um discurso profundamente demagógico e eleitoral», ao anunciar que o Governo optou por uma saída limpa do programa de resgate financeiro. Na TVI24, a comentadora sublinhou que Pedro Passos Coelho proferiu um «discurso de vitória que não se vê em que é que consiste essa vitória».

«O que o primeiro-ministro vem dizer é que reconquistámos a liberdade de decisão, que dá os parabéns aos portugueses porque no dia 17 de maio, dia da libertação de Portugal, o dia em que os portugueses reconquistaram a capacidade de decidir por si mesmos, isto é pura e simplesmente mentira», defendeu Constança Cunha e Sá.

Para a comentadora, basta olhar para o Estado Social, para a dívida e para a recessão, com um «crescimento residual» que Portugal tem agora, «para ver que nenhum dos objetivos foi cumprido». Constança Cunha e Sá defendeu que a credibilidade dos mercados e a sustentabilidade das finanças públicas foi o único objetivo que foi, de certa forma, cumprido.

«A sustentabilidade das finanças públicas foi a única coisa que o Governo se pode gabar de ter feito durante estes três anos, é ter conseguido uma certa consolidação. Resta saber é como é que ela foi feita. (...) Eu acho que, contas feitas, foi feita 4/5 do lado da receita» (só em IRS o Estado arrecadou 30 e tal mil milhões de euros nestes últimos três anos) e não 2/3 para o lado da despesa e 1/3 para o lado da receita, como dizia no princípio, no memorando de entendimento», realçou.

«Esta consolidação é uma consolidação com pés de barro e que, no fundo, não tem muito caminho para andar porque o primeiro-ministro também diz que este foi um Governo muito reformista, mas a verdade é que as reformas essenciais ficaram por fazer», rematou.