«Eu sou um cético das intervenções do Estado na economia», começou por dizer Medina Carreira, no programa «Olhos nos Olhos», na TVI24, dando como exemplo o setor elétrico: «A eletricidade funcionava razoavelmente. Em 2007, o Estado meteu-se naquilo e arranjou este 31. Onde o Estado mete as mãos, as coisas ficam torcidas.»

«Eu preferia nacionalizar essa empresa [a EDP] do que tê-la no privado, pelo menos o Estado ganhava aquele dinheiro», considerou o comentador da TVI24. Sobre os casos da EDP ou dos CTT, referiu: «Todas estas privatizações não dão para pagar os juros de um ano.»

O convidado do programa desta segunda-feira, o economista Henrique Neto, partilhou a mesma opinião. «O problema é que o Estado intervém negativamente. As privatizações que foram feitas já pelo professor Cavaco Silva, com a ideia de criar grupos económicos, esses grupos económicos foram altamente protegidos. Compraram as empresas muito baratas, depois deixámos que fizessem preços inflacionados que os portugueses pagam mais caro, sejam as telecomunicações, a energia», salientou. [Veja o vídeo]

O tema central do programa foi o relançamento da economia, sendo que Medina Carreira considerou que, neste momento, é esta a principal questão «não só em Portugal, mas também no resto da Europa», sublinhando os problemas que surgiram com «a globalização e a desindustrialização».

Descida da TSU

Já Henrique Neto apontou oito possíveis áreas de intervenção para o relançamento da economia nacional - entre as quais a Taxa Social Única (TSU), as zonas portuárias nacionais, os fundos comunitários ou a Defesa. «Temos que escolher entre uma economia mais barata ou do conhecimento», disse.

Em relação à TSU, Henrique Neto defendeu uma redução para as empresas de bens transacionáveis e, por outro lado, um aumento daquela taxa para «as grandes empresas dos setores não transacionáveis».

«Na semana passada, estive no Porto de Sines e soube que a APS, a empresa a quem foi concedida a exclusividade de utilização do porto, tem um investimento de cerca de 140 milhões de euros no Ministério da Economia e há meses para ser aprovado, e ninguém ainda o aprovou», revelou Henrique Neto, defendendo a importância dos portos nacionais e o seu atual desaproveitamento. «Quanto a Sines, tenho muitas dúvidas», referiu, por outro lado, Medina Carreira.

O convidado citou o antigo ministro da Economia Daniel Bessa - «Portugal tem um problema: investimento ou morte» -, para sublinhar a importância de «atrair investimento estrangeiro», mas ironizou: «2015 [data agendada para eleições legislativas] vai ser o ano dos milagres.» Sobre os fundos comunitários que o país vai receber, Medina Carreira foi incisivo: «Já vejo por aí muita gente a salivar.»