Constança Cunha e Sá acusou, esta quarta-feira, o Presidente da República de querer «salvar a pele» ao afirmar que quer «consolidação orçamental amiga do crescimento económico». A comentadora da TVI defende que a atual situação do país é também da responsabilidade de Cavaco Silva que não permitiu que o país fosse a eleições e deu posse a um «Governo morto».

«O que isto prova essencialmente é que o Presidente não teve razão quando deu cobertura a este Governo. Neste momento, com esta frase, eu penso que o Presidente, para variar, quer salvar a sua pele, foi sempre o que ele fez desde que foi eleito Presidente da República», diz.

«Tudo valia desde que se assegurasse a credibilidade externa e desde que se agradasse aos credores e os credores não queriam crise política. O Presidente da República decidiu nomear este Governo, mascarou-o, ajudou a mascarar um novo Governo, dando um ar de um novo ciclo, porque a verdade é que o Governo se tinha esfumado, tinha morrido e não ressuscitou porque os mortos não ressuscitam», defendeu.

A comentadora da TVI diz ainda que Portugal teve todos os efeitos da crise política, mesmo sem ir a eleições. «O país não teve a crise política, não teve as eleições, mas teve os efeitos negativos todos de não ter tido eleições também, porque o problema existia e o problema, como Cavaco Silva não quis ver, existia no interior do próprio Governo. O factor de instabilidade não vinha das eleições, não vinha de um orçamento atrasado, o factor de instabilidade vinha do interior do próprio Governo».