Constança Cunha e Sá disse, esta terça-feira, na TVI24, que se PSD, PS e CDS chegarem a acordo para um compromisso de salvação nacional, conforme pediu o Presidente da República, o país terá um ano de Governo de gestão até 2014. A comentadora não acredita na boa vontade dos três partidos para se entenderem e defende que, há haver acordo, será muito superficial. Constança Cunha e Sá disse ainda que dificilmente o PS, por um lado, e PSD e CDS, por outro, vão resolver em cinco dias as divergências em relação à política a seguir e acredita que um dos líderes partidários, ou até os três, podem sair muito mal na fotografia.

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá começou por explicar que, no cerne das negociações tripartidárias para um acordo, há «uma rocha, uma pedra, que é o corte na despesa». A comentadora recordou que «António José Seguro tem garantido a vários membros do PS que, havendo cortes no Estado, ele não fará o acordo» e sublinhou que «a carta que Pedro Passos Coelho mandou à troika, em maio, tem esses cortes todos previstos até 2015, num montante de 4700 milhões de euros».

Constança Cunha e Sá chama a atenção para um diferendo partidário entre PS e PSD, em matéria de cortes na despesa, que dificilmente se resolverá em cinco dias: «Agora, com a entrada em cena do PS, desaparece tudo? Fica metade? Um terço? Coisa nenhuma? Não se percebe muito bem. O que se percebe bem é que esta gente anda toda a brincar connosco. Eu penso que há um dos dois [Passos Coelho ou Seguro] que sai daqui decapitado, não sei qual deles».

Para a comentadora, a haver acordo, só pode ser artificial. «Eu não acredito na boa vontade desta gente para se entenderem todos os três e levarem isto a bom porto até 2014. Porque é evidente que um deles vai sair muito mal nesta história ou todos eles. Seguro tem garantido sempre que só negoceia não havendo cortes. (...) Não sei que solução é essa que eles vão encontrar», interrogou-se.

«Eu acho que nós estamos metidos numa trapalhada de morte! Não antevejo nada de bom porque (...) não vejo maneira de isto se resolver em qualquer coisa de estável. Porque se o acordo for um plano vaguíssimo, nesse ponto o acordo não vale nada e portanto é politicamente irrelevante. Se se traduzir em medidas concretas, eu não consigo perceber como é que medidas que foram sempre apresentadas pelo PS e foram sempre recusadas pela maioria, e cortes que foram apresentados pela maioria e foram sempre recusados pelo PS, de repente em cinco dias as coisas se resolvem todas. Portanto, eu não vejo saída feliz disto. Eu acho que o que se está a passar em Portugal é uma palhaçada», rematou.