Constança Cunha e Sá disse, esta quinta-feira, que «não é bom» para o primeiro-ministro que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha arquivado o pedido de investigação a uma denúncia anónima sobre a «eventual ligação à Tecnoforma» por prescrição de um hipotético crime. Na TVI24, a comentadora realçou que se Pedro Passos Coelho esperava alguma ajuda ou algum adiamento que o ilibasse, essa possibilidade «esboroou-se» porque a questão jurídica ficou posta de parte quando a PGR disse que não vai investigar.

«A PGR veio dizer que Passos Coelho vai ter de bater a outra porta», começou por dizer a comentadora no espaço de análise nas «Notícias às 21:00». Citando Mota Amaral e Proença de Carvalho, Constança Cunha e Sá sublinhou que o gesto do primeiro-ministro no sentido de remeter para o Parlamento e para a PGR o esclarecimento da situação foi «uma fuga para a frente porque já sabia à partida que a PGR não podia atuar neste caso». «No fundo, Passos Coelho procurou ganhar tempo. A PGR tirou-lho», defendeu.

Para a comentadora, o que sobra é a questão política de saber se Pedro Passos Coelho recebeu ou não dinheiro da Tecnoforma nos anos em que foi deputado: «Ou não recebeu e então já o tinha dito. Ou então recebeu e não pode dizer porque a verdade é que não o declarou no IRS. E mais: não o apresentou à Assembleia da República e, não o apresentando, de certa forma, prestou declarações falas à Assembleia da República».

«A imagem de honestidade do primeiro-ministro cai muito por terra e cai cada vez mais à medida que este assunto se for desenvolvendo e for tomando proporções cada vez maiores», concluiu.