Para Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro Passos Coelho tem usado um tom muito triunfalista nas suas intervenções, o que nem sempre gera bom resultado.

«Ele era muito criticado no partido desde aquela frase: 'que se lixem as eleições'. Agora não se está a lixar para as eleições, porque tem noção do seguinte: imagine que o resultado não é uma margem de 3, 4 ou 5%, mas é uma margem, que eu acho inverossímil, de 13 ou 14%? A tarefa de um candidato a primeiro-ministro daqui a um ano e meio passa a ser duplamente difícil ou mesmo triplamente. Portanto, não é irrelevante. As europeias não são legislativas mas têm efeito nas legislativas, já tiveram com Sócrates, com Cavaco... Agora o tom nem sempre é um tom muito feliz. Às vezes é um bocadinho triunfalista. Noutro dia fez um discurso com aquela coisa que é fatal como o destino, que é meter no mesmo saco os analistas, comentadores e a oposição. Ora, dois terços dos analistas são do PSD. E as pessoas não têm direito a analisar e a comentar? Eu acho que o Governo em relação à gestão da saída limpa não pode entrar numa euforia, e quem diz o PSD diz o CDS, porque o tom triunfalista perante um eleitorado que está a pagar impostos, para o ano vai ter mais sobrecarga, é evidente que os números em teoria melhoram, mas não estão a chegar ao bolso dos portugueses. Ninguém caça moscas com vinagre e às vezes uma euforia excessiva sabe a vinagre», considerou o comentador da TVI, neste domingo, no Jornal das 8.