Constança Cunha e Sá atribuiu, esta segunda-feira, as palavras de Cavaco Silva de que «a troika revele bom senso nas avaliações em curso» como uma referência do Presidente da República a um alívio da austeridade e um apelo a que os elementos da CE, BCE e FMI acedam ao pedido do Governo de flexibilizar o défice para 4,5% em 2014. Na TVI24, a comentadora sublinhou que, para a vida dos cidadãos, não haverá diferença mesmo que o défice seja flexibilizado e considerou, por isso, que a discussão é «estéril».

«Eu interpreto as palavras do Presidente no sentido de que a troika aceda ao pedido do Governo e portanto que o défice para 2014 não seja de 4%, mas sim de 4,5%. Porque quando o Presidente diz para não pôr em causa a recuperação da economia está a falar exatamente de um alívio da austeridade», começou por afirmar Constança Cunha e Sá no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

A comentadora sublinhou que continua a ser estranho que Passos Coelho e Paulo Portas, mesmo no dia em que chega a troika, afirmem posições divergentes do Governo em relação ao «timing» de flexibilização do défice. Constança Cunha e Sá acrescentou que também não faz qualquer espécie de sentido preconizar um alívio da economia (através da flexibilização do défice) quando continuam previstos todos os cortes com que o Governo se comprometeu na 5ª avaliação da troika. «Que eu saiba, o corte de 4.700 milhões mantém-se», realçou.

A comentadora explicou que «a asfixia da economia de que fala Cavaco Silva não vem propriamente de um défice ser de 4% ou 4,5%, mas sim do plano de austeridade ser mais ou menos duro». Como ninguém alivia o plano de austeridade, Constança Cunha e Sá concluiu que «quer a troika diga que sim quer diga que não, nós em 2014 não vamos ter de todo um défice de 4% ponto final. Porque é impossível. Nós já vimos isto noutros anos e a verdade é que toda a política do Governo se debruça, e tem como ponto central, o reequilíbrio orçamental, mas a verdade é que o Governo nunca conseguiu, neste dois anos e tal, nunca conseguiu cumprir um défice que esteve previsto».

Para Constança Cunha e Sá, a discussão em torno da flexibilização do défice é «um pouco estéril» e a comentadora disse não conseguir «perceber muito bem qual é a utilidade dela». «Gostava que o Governo explicasse em que é que os portugueses sentem a diferença do défice ser de 4% ou de 4,5%. Porque, se for de 4,5%, é possível deixar respirar a economia? É possível aliviar os cortes? Ou não?», perguntou.

Constança Cunha e Sá antecipou a resposta: «A ideia que tenho é que vamos ter o corte de 4,7 mil milhões de euros e não vamos ter o défice a 4%. Portanto, temos sempre o pior dos dois mundos: vamos ter austeridade, mas como a austeridade come a economia e se traduz em recessão, acabamos também por não cumprir a meta orçamental».