Augusto Santos Silva considerou, esta terça-feira, que a escolha de Miguel Relvas para a Comissão Nacional do PSD é «um erro». Na TVI24, o ex-ministro socialista questionou mesmo se a decisão de Pedro Passos Coelho não terá razões escondidas: «O que é que Passos Coelho ficou a dever a Miguel Relvas?».

No programa «Política Mesmo», o comentador da TVI24 criticou também a forma como o líder do Partido Socialista escolheu Francisco Assis para cabeça de lista às eleições europeias. Augusto Santos Silva considerou que António José Seguro se deixou colocar sob pressão dentro do próprio partido, mas também sob pressão externa.

VÍDEO: «Compreendo escolha de Francisco Assis mas não entendo o timing»

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, anunciou este sábado ter escolhido Miguel Relvas para encabeçar a sua lista ao Conselho Nacional do partido, lugar que nos dois anteriores congressos foi ocupado pelo eurodeputado Paulo Rangel.

Miguel Relvas foi o «braço direito» de Pedro Passos Coelho nas suas candidaturas à liderança do PSD em 2008 e 2010, a segunda das quais vitoriosa, assumindo em seguida o cargo de secretário-geral e porta-voz da direção nacional social-democrata.

Na sequência das legislativas de 05 de junho de 2011, assumiu o cargo de ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, responsável pela coordenação política do executivo e pela reforma da Administração Local e com a tutela da comunicação social, que abandonou a 4 abril de 2013, invocando falta de «condições anímicas» para continuar nessas funções.

No tempo em que exerceu essas funções, Miguel Relvas esteve envolvido em várias polémicas, relacionadas com a sua licenciatura, com as suas relações com o antigo diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa Jorge Silva Carvalho e com alegadas pressões a jornalistas.

Ao fim de 22 meses, declarou que saía do Governo por «vontade própria» e por falta de «condições anímicas» para continuar em funções.

Esta terça-feira, fonte do Tribunal Administrativo de Lisboa adiantou à Lusa que o processo está concluído e que sexta-feira o juiz decidirá sobre a declaração de nulidade do ato de atribuição de licenciatura a Miguel Relvas.