No dia em que o gabinete do primeiro-ministro confirmou que Passos Coelho apresentou a Cavaco Silva um entendimento político com Paulo Portas, Constança Cunha e Sá defendeu que o Presidente da República não pode voltar a apoiar o Governo. Na TVI24, a comentadora afirmou que a receita seguida, durante dois anos, pelo Executivo PSD/CDS-PP, só deu resultados negativos e entende, por isso, que se atingiu um ponto de não retorno.

«Não sei que acordo é este, mas ouvindo as palavras de dirigentes do CDS, aparentemente os dois partidos da coligação conseguiram "um acordo sólido que garante a estabilidade até 2015", ou seja, conseguiram um verdadeiro milagre, porque só com Fé é que se consegue perceber como é que, dos escombros de um Governo, (...) vai surgir, qual Fénix renascida, um Governo muito sólido, muito competente e capaz de assegurar a estabilidade do Governo até ao fim da legislatura», começou por ironizar a comentadora, no espaço diário de análise nas «Notícias às 21:00».

«Isto implica o quê? Implica que, finalmente, se vão fazer as reformas que em dois anos nunca se fizeram? Implica que finalmente Passos Coelho vai fazer a remodelação que se recusou sempre a fazer? Implica que Paulo Portas, depois de ter dito que não voltava e que a decisão era irrevogável, volta para o Governo investido de outras funções?», questionou.

Para Constança Cunha e Sá, o carrossel político dos últimos dias não faz sentido nenhum. «Isto não é de todo para levar a sério. Eu não consigo levar isto a sério. Não sei qual é a solução. Vou amanhã [sábado] esperar para ver qual é esse milagre. Mas a verdade é que este Governo perdeu autoridade, perdeu a legitimidade e perdeu o respeito dos portugueses. Portanto, é muito difícil com estes protagonistas conseguir-se dar um novo fôlego ao Governo. Se quisessem dar um novo fôlego ao Governo, o primeiro-ministro tinha-o dado com a saída de Vítor Gaspar. Não é depois com a saída de Paulo Portas que se vai injetar um novo fôlego a um Governo que entretanto morreu», explicou.

Depois de presumir «que as direções dos dois partidos só avancem amanhã [sábado] com a publicação do acordo, na certeza de que o Presidente da República aceita isso», a comentadora realçou que o importante, no momento, é saber qual é a posição de Cavaco Silva.

«Eu acho que o Presidente da República não pode dar, mais uma vez, o aval a este Governo. Porque, de facto, atingiu-se um ponto de não retorno. Já não estou a falar sequer dos últimos dias e da fantochada que isto tem sido (...) Esquece-se o que foram estes dois anos. Esquece-se uma questão de fundo, que é a questão das políticas. A verdade é que esta questão do memorando, que o Governo tão escrupulosamente cumpriu, não deu em nada. Só deram resultados negativos. Tudo piorou nos últimos dois anos», defendeu.