Manuela Ferreira Leite comentou esta quinta-feira, na TVI24, o guião da reforma do Estado apresentado na quarta-feira por Paulo Portas.

Irónica, a ex-ministra das Finanças referiu-se ao documento como «o papel». Manuela Ferreira Leite disse que «teve um um bocadinho choque de expectativas» com a reforma do Estado apresentada pelo governo.

Ferreira Leite disse não perceber em que consiste a reforma do Estado. «Reforma do Estado para mim é pegar nas funções do Estado e não é isso que decorre do papel», classificando-o como «um emaranhado, uma mistura», já que «90 por cento do guião é uma análise do que se passou até à data e dez por cento é sobre o futuro que se verá quando é que há-de ser».

Conclusão: «Não fica claro em que vai consistir a reforma do Estado».

Isso não isenta o PS de críticas. «Não é aceitável que o maior partido da oposição abdique e renuncie a esse papel». Manuela Ferreira Leite acusou António José Seguro de «não concordar e simultaneamente não fazer absolutamente nada para que as medidas que possam ser tomadas sejam de alguma forma modificadas, não está a desempenhar o papel de partido da oposição».

«Impostos mais baixos e menos burocracia é uma consequência da reforma do Estado e não o objetivo da reforma do Estado».

A comentadora falou ainda da «regra de ouro». «Já de há muito tempo que sou absolutamente contra» a regra de ouro na Constituição e explicou que esta podia «conduzir a que princípios fundamentais pudessem ser postos em causa em nome do equilíbrio orçamental».

Considerou esta regra «uma gravíssima ameaça», capaz de «aniquilar o estado de direito».