Constança Cunha e Sá disse, esta quarta-feira, que o país está cansado dos apelos ao consenso entre os partidos, com os desafios do PSD ao PS e do PS ao PSD, em questões como a reforma do Estado, um eventual programa cautelar e as pressões sobre o Tribunal Constitucional. Na TVI24, a comentadora defendeu que nem o discurso do Governo, nem o do secretário-geral do PS fazem sentido.

«Parece-me, antes de mais, que o país começa a ficar farto desta pequena zaragata entre o PS e o PSD, sobre quem é que quer consenso e quem não quer consenso. Isto é uma conversa de xaxa que não leva a lado nenhum porque toda a gente já percebeu que nem o PS quer consenso, nem o Governo quer consenso», afirmou.

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá sublinhou as declarações mais recentes do porta-voz do PSD, Marco António Costa, que acusou esta quarta-feira o PS de «populismo», quando na terça-feira António José Seguro veio dizer que o Governo «provaria» que está de facto empenhado na busca de consenso «se aceitasse as propostas do PS» de alteração ao Orçamento do Estado para 2014.

«O PS apresentou algumas propostas (não digo que sejam todas exequíveis) e o PSD o que é que diz? Que são irrealistas e infundadas. (...) O ministro Pires de Lima falou em reduzir o IVA da restauração, em aumentar o salário mínimo. E há ainda a taxa sobre as PPP. As propostas ditas por Pires de Lima são fantásticas, ditas pelo PS são populistas?», questionou Constança Cunha e Sá.

Para a comentadora, o discurso de António José Seguro é tão contraditório quanto o do PSD e o do Governo: «O PS acha que este Governo não tem legitimidade para Governar (conforme se viu com a moção de censura e o voto contra o Orçamento do Estado). No entanto, já sobre as condições que tem para negociar com a troika, o PS, aí, não se pronuncia porque não sabe. Isto é surrealista. (...) Eu acho aliás que há qualquer coisa escondida no meio disto tudo».