Constança Cunha e Sá refere que o relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) «vem confirmar o que muitos já adivinhavam: não há folga nenhuma para ninguém». «Toda a gente já tinha percebido que dificilmente haveria uma folga de 800 milhões», diz a comentadora de política da TVI apontando que «este Governo não nos habituou a folgas, habituou-nos a buracos, desvios e derrapagens».

«Por outro lado, a UTAO diz que o cenário macroeconómico é demasiado otimista» acrescentando Constança Cunha e Sá que «as metas avançadas pelo Governo não levam em linha de conta as medidas que o próprio Governo vai tomar».

«Há muitas habilidades por parte do Governo. Como ficou hoje presente», refere a comentadora da TVI dizendo que, sobre as medidas do Documento de Estratégia Orçamental (DEO) e as do pacote apresentado por Passos Coelho, «não se sabe o que lá está, na prática».

«Ninguém sabe que medidas vão ser tomadas. E quando se sabe as medidas ninguém sabe como vão ser tomadas. Isto não é forma de governar. É um desgoverno absoluto», conclui com o exemplo dos dados do INE, na véspera, de 3,9% de recessão no primeiro trimestre deste ano: «O Governo diz que vai melhorar no fim do ano. Ninguém acredita nisso, nem a própria UTAO acredita.»

«Andamos num jogo do empurra, de medidas, não medidas. Andamos com medidas para todos os gostos desde janeiro, com medidas que são facultativas, medidas que são obrigatórias, medidas que passam a permanentes depois de terem sido provisórias. E ninguém se entende», comenta.

«Isto é uma técnica opcional do Governo» para que «as pessoas não percebam de facto o que é que está a ser negociado e o que é que foi aprovado. Porque as pessoas não sabem», analisa Constança Cunha e Sá frisando que «a própria Unidade Técnica não sabe o que é que foi aprovado, não encontra as medidas discriminadas no DEO, nem no pacote de medidas apresentadas por Passos Coelho».

«Depois também se diz que é a Troika... No meio disto tudo, já não se percebe o que é que a Troika diz e o que o Governo diz», considera Constança Cunha e Sá não deixando também de referir a eventual taxa sobre as pensões: «É muito mais seguro para a Troika e para Vítor Gaspar cortar nas pensões, porque aí é certo.» «É muito mais fácil e não é preciso grande trabalho. O que era preciso era uma verdadeira reforma do estado. Isso não foi feito», aponta.

A comentadora da TVI diz que «a ideia é a de que é tudo feito em cima do joelho e com o menor esforço possível. Porque, na dúvida, corta-se». Já sem falar «das PPP, das rendas excessivas, das grandes empresas», Constança Cunha e Sá conclui que «o Governo vai pelo caminho mais fácil».