A comentadora da TVI24 disse esta quarta-feira que «Nuno Crato está a cavar a sua sepultura», por causa dos professores mal colocados.

Os docentes «não foram ilegalmente colocados, foram colocados por erro do ministério da Educação», disse. «O primeiro a dizer que não ia haver prejudicados é o primeiro a reconhecer que vai haver prejudicados».

«A subtileza dos tempos verbais mostra uma enorme má-fé, falta de respeito», ou seja, o ministro «disse que se mantinham mas era só até serem corridos. Dava vontade de rir se não fosse trágico» para os professores e para os alunos, concluiu Constança Cunha e Sá.

A comentadora analisou também, no seu comentário na TVI24, as explicações de Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa sobre o BES. «Acho extraordinário a ministra das Finanças e o primeiro-ministro descobrirem no mesmo dia uma coisa que já toda a gente sabia: que os contribuintes iam ser chamados a pagar os custos da criação do Novo Banco», disse a comentadora.

«Lembraram-se hoje que a Caixa Geral de Depósitos fazia parte do conjunto de bancos que pode ser prejudicado se a venda não corresponder aos 4900 milhões de euros que foram lá postos». E «ninguém acredita que a venda vai ser superior a 4900 milhões», por isso, «vai haver perdas».

Constança Cunha e Sá contestou a ministra: «Isto não é o preço a pagar por ter um banco público. Isto é o preço que temos que pagar por uma solução que nos foi apresentada como maravilhosa porque punha de parte os contribuintes».

«E vai custar aos contribuintes de várias maneiras. Não é só a CGD. O fundo de resolução, o dinheiro que o Estado empresta é dinheiro do Estado e, nessa medida, também diz respeito aos contribuintes». A comentadora questionou igualmente como é que vai ser o pagamento à banca, onde se inclui a CGD, se o prejuízo com a venda for grande.

«Andaram a jurar a pés juntos que a solução encontrada para o GES e o Banco Espírito Santo não ia ter qualquer custo para os contribuintes e hoje foram com a maior da desfaçatez» dizer que, afinal, os contribuintes vão ter que pagar.

A situação do Novo Banco «também não foi explicada» e «não se sabe qual é a estratégia do governo sobre o Novo Banco».

Constança Cunha e Sá analisou ainda a questão das datas sobre a resolução do BES e a informação privilegiada que beneficiou uns e prejudicou outros, nomeadamente, os pequenos acionistas.

«Por que é que as ações do BES não foram suspensas mais cedo?», uma «guerra entre supervisores» - Banco de Portugal e CMVM – que «não é edificante».

«Há um banco que foi à falência», frisou a comentadora. 
 
Quanto ao estado da Portugal Telecom (PT), um «pilar» da economia portuguesa que, de repente se tornou num «peso morto», arrastada pelo BES e a RIOFORTE, Constança Cunha e Sá concluiu que «a nossa grande empresa de referência transformou-se em nada».

Veja ainda a análise às previsões do Banco de Portugal no comentário na íntegra.