Constança Cunha e Sá criticou a atuação tardia do Banco de Portugal (BdP) em relação à crise no Banco Espírito Santo (BES) afirmando que o governador não pode ser visto como um «herói», uma vez que há pelo menos «um ano» que algo deveria ter sido feito.

«Há um coro elogioso à volta da atuação do Banco de Portugal, e eu não vejo razão para esse coro. O BdP, na minha opinião, atuou muito tarde em relação a um problema que toda a gente percebe que era visível em 2012, afiançou e deu a cara pelo banco em maio de 2013, e se nós percebermos, quando houve o aumento de capitais do BES, já era visível que havia um problema na ESI, não se percebe o que o Banco de Portugal andou a fazer este tempo todo», disse.

A comentadora da TVI considera que a intervenção do governador do BdP não só foi tardia, como também desastrosa, principalmente pela forma como se tratou a questão da nomeação do sucessor de Ricardo Salgado para liderar o BES.

«Não se percebe que o governador do BdP apareça como um herói porque pôs ordem na casa, pois pelo menos há um ano que tinha obrigação de conhecer esta situação. Tinha obrigação de ter atuado mais cedo, e depois quando atuou, acho que atuou de uma forma desastrosa (...) não é normal que Ricardo Salgado tenha anunciado um sucessor, aparentemente com o acordo do BdP, que deixou andar semanas a rebolar o nome de Morais Pires, e depois veta o nome», diz Cunha e Sá.