A comentadora, Constança Cunha e Sá, considerou esta terça-feira na TVI24 que a dívida é «insustentável» e que as taxas de juro são ainda «muito altas». O PS vem agora a terreno pedir «prudência» depois de ter defendido uma saida limpa.

Constança Cunha e Sá analisou a emissão de dívida pública. Portugal vai pagar uma taxa de juro de 5,112% pelos 3 mil milhões de euros de dívida a 10 anos colocados esta terça-feira numa operação sindicada.

«Temos uma taxa de juro que ainda é muito alta» e estamos a três meses do final do programa e que está muito longe dos 4,5 por cento e «muito longe» do «mais importante»: «a insustentabilidade da dívida», disse a comentadora.

«Como é que o país paga uma dívida com estas taxas juro? Não é possível». De acordo com os parâmetros da União Europeia e do FMI, que falam em crescimento de 4,5%,, o que é uma «miragem para nós».

«Foi o consumo privado que animou a economia nestes últimos meses». As exportações ficaram aquém e as importações subiram, o que mostra que o primeiro-ministro «está profundamente enganado sobre o perfil da economia» e estamos a voltar ao mesmo de antes do programa de ajustamento, explicou Constança Cunha e Sá.

O «consumo interno é uma das bases para crescer» e, no entanto, «para o FMI ainda devíamos consumir menos», referiu a analista, concluindo que este tema «é uma pescadinha de rabo na boca».

Apesar do ânimo da maioria, «temos um défice e não é pequeno» e «estas taxas de juro não são suportáveis». Ora, concluiu, «está a empurrar com a barriga para a frente um problema que mais tarde ou mais cedo vai cair em cima de nós, porque isto não é pagável. Toda a gente tem muito medo da reestruturação da dívida, mas ninguém consegue explicar como é que se paga esta dívida».

À dívida pública acresce que o setor provado também está endividado. «É o problema que o Governo esconde e os partidos da oposição escondem». E Constança Cunha e Sá fez a «comparação» com a Irlanda para mostrar as diferenças entre Portugal e aquele país que também esteve debaixo de assistência, em que a última emissão que fez a dez anos, a nove meses antes do final do programa, e pagou «4,1%» de juros.

Constança Cunha e Sá considerou que a «a saída limpa é uma irresponsabilidade», com esta dívida, com estas taxas de juro e com o desemprego.

Com ou sem programa cautelar parece ser a pergunta que se segue e a comentadora chamou a atenção de que «estão todos em campanha eleitoral» - governo e oposição. «Há uma tentação do governo de ensaiar uma saída limpa».

«O que aconteceu ao PS foi trágico. Deixou-se enredar neste discurso» da maioria. António José Seguro veio defender uma saída limpa e agora pede «prudência», o que a comentadora interpretou como um sinal de querer virar o discurso face às taxas de juro elevadas e pedir programa cautelar. «Foi uma armadilha», porque «saída limpa é vitória» do Governo ou programa cautelar «é responsabilidade». António José Seguro só deveria exigir que o Governo explicasse «as mudanças de políticas» no período pós-troika.