No dia em que PSD, PS e CDS terminaram a segunda ronda de negociações para um «compromisso de salvação nacional» proposto por Cavaco Silva, Medina Carreira disse, na TVI24, que o Partido Socialista tem «pouca visão dos acontecimentos».

No programa «Olhos nos Olhos», Medina Carreira e Fernando Ribeiro Mendes, antigo secretário de Estado da Segurança Social de António Guterres, defenderam que é preciso cortar em média 25 por cento em todas as pensões. Os dois ex-governantes concordaram que um acordo político entre PSD, PS e CDS seria bom para o país, mas Medina Carreira duvida que esse acordo possa ser realidade.

«Presumo que não chegarão a acordo nenhum e, aí, acho que o PS tem pouca visão dos acontecimentos. Porque, se este Governo sair deixando a despesa pública no estado em que está, vem o PS. Quer dizer, o PS vai apanhar este problema aumentado e com muito mais desgaste, porque então haverá um segundo resgate com os estrangeiros», defendeu Medina Carreira.

O comentador afirmou que «isto tem tendência a tornar-se uma Grécia» e realçou que «o problema da despesa não é um problema para passar, assim, em 15 dias, com tretas, é um problema da maior gravidade».

O também ex-ministro das Finanças disse que chamou muitas vezes a atenção a Passos Coelho de que «o grande problema do país é a despesa pública». «Em primeiro lugar, porque é um volume que nós não podemos financiar. Em segundo lugar, porque é um problema que interessa a seis ou sete milhões de portugueses», explicou o comentador. Medina Carreira revelou que o primeiro-ministro sempre lhe respondeu que «não», que «isso é uma questão de funções do Estado».