Marcelo Rebelo de Sousa diz-se «repugnado» com o facto de o Governo ter decidido oferecer carros de alta cilindrada na chamada «fatura da sorte». Embora concorde com a fórmula encontrada pelo Fisco para combater a evasão fiscal, o comentador da TVI entende que a oferta de automóveis, mais do que questionável, é uma contradição do primeiro-ministro.

«Acho que a ideia é muito eficaz, bem encontrada, mas repugna-me a ideia de entrega de prémios em automóveis topo de gama. Porque este Governo quando entrou disse que ia mudar os hábitos dos portugueses, que ia fazer uma revolução cultural em Portugal, que este primeiro-ministro ia fazer um clique para mudar a mentalidade dos portugueses. Quando decide dar um prémio, o que é que ele dá? Dá abatimento nos impostos? Não dá. Dá certificados de forro? Não dá. Dá a possibilidade de aquele quantitativo ser utilizado na vida das pessoas para compensarem impostos que tinham em atraso, para resolverem outros problemas? Não, dá carros de luxo. Isto é o clique que ele tinha prometido? Não, isto é Passos a render-se aos hábitos vindos do passado e que ele quis mudar. Para conseguir um bom propósito, tendo outros meios à sua disposição, escolheu o meio que é o retrato daquilo que ele se propôs combater quando entrou para o Governo», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, neste domingo, no Jornal das 8 da TVI.

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