Marcelo Rebelo de Sousa revelou na que não será candidato nas próximas eleições presidenciais de 2016 devido à falta de apoio demonstrada por Pedro Passos Coelho na sua moção de recandidatura à liderança do PSD.

«Claramente eu acho que Passos Coelho quis excluir-me como candidato, o que é perfeitamente legítimo», afirmou, adiantando ainda que o líder do PSD «não pegou no telefone» para o informar da sua decisão.

«Se o líder do partido fundamental da área da direita diz que a candidatura é indesejável, uma pessoa de bom senso não vai dividir o eleitorado, dando a vitória ao outro lado», continuou, referindo que não quer «fazer de Manuel Alegre».

Para o comentador, o perfil que Passos escolheu torna Durão Barroso «uma hipótese forte». «Se houver hipótese de Durão Barroso sobrar de lugares internacionais e poder recuperar em termos de sondagens, é uma hipótese forte a encarar no quadro do Presidente que ele encara», acrescentou.

Marcelo insistiu que a «questão está resolvida» depois de Passos Coelho ter excluído o seu apoio a um candidato com «mediatismo, popularidade e que defendesse um Presidente da República interventivo».

O ex-líder social-democrata garante que não fica surpreendido com a decisão de Passos, mas, como comentador, aconselhou o presidente do PSD a não se «comprometer», «como fez Paulo Portas».

Marcelo Rebelo de Sousa considera que o primeiro-ministro antecipou a sua decisão quanto às presidenciais porque sente que pode ganhar as legislativas.

«Na cabeça dele, embora não o diga, já ganhou as legislativas, ou pode ganhá-las, e assim pode definir o perfil de candidato que quer apoiar», explicou.

Na sua moção de estratégia global, o líder do PSD defende que «o Presidente deve comportar-se mais como um árbitro ou moderador» e evitar «tornar-se numa espécie de protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num cata-vento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político».

O chefe de Estado «não deve buscar a popularidade fácil» e, sendo supra partidário, «também não pode colocar-se contra os partidos ou os governos como se fosse apenas mais um protagonista político na disputa política geral», escreve.

Passos Coelho considera que «a iniciativa de candidatura deve partir dos potenciais candidatos» e «não de qualquer diretório partidário».

Na «altura própria», o PSD formalizará «nos órgãos estatutariamente competentes» o «perfil desenvolvido que considera adequado ao entendimento do papel do Presidente da República» e «o apoio a conceder a um futuro candidato presidencial que se apresente no respeito por este perfil».