O professor Marcelo Rebelo de Sousa lamentou este domingo, no Jornal das 8 da TVI, que a equipa de Vítor Bento não tivesse aguentado mais à frente do Novo Banco.

«Nesta situação excecional, não tendo ocorrido isso há 15 dias, eu esperaria que a equipa aguentasse mais, o suficiente para amadurecer as condições que permitissem conhecer os candidatos à compra e não haver esta situação dramática que sucede sempre ao fim de semana», embora compreenda que a «escolha [do momento] é prudente», porque ocorre «quando os mercados estão fechados».

«Em termos objetivos, por muito que se respeite essa decisão, veio agravar a situação, porque isto é um romance» com «surpresas contínuas».

«De cada vez que surge um destes episódios, imediatamente, interna e internacionalmente, vai-se estreitando o caminho de resolução boa para um caso em que está envolvido o dinheiro dos contribuintes portugueses».

No que respeita à nova equipa, a «ideia é ser gente da banca» e «gente da Caixa, para não ser dos bancos concorrentes».

O líder pertence a «uma escola de banca» que há em Portugal. «Surge a liderar uma pessoa da escola de Horta Osório. Da escola de Horta Osório há hoje o presidente do Santander, o presidente do BCP e agora o presidente do Novo Banco. Não há dúvida de que Horta Osório criou um conjunto de discípulos que estão a chegar ao cume de vários bancos em Portugal. É uma boa escola».

Stock da Cunha «tem currículo» e «gosto do regime em que veio, o regime de licença sem vencimento. Percebe-se que é transitório».

Marcelo Rebelo de Sousa também aproveitou para afastar as suspeitas de uma «negociata» antecipada pelo PCP. «Tendo Stock da Cunha trabalhado 20 anos no Santander, o homem veio fazer a ponte» para o Santander comprar o Novo Banco, mas o professor disse diretamente que «não», acrescentado que o economista «é um homem de uma grande isenção e de uma grande honestidade».

Politicamente, quanto às posições de Cavaco Silva e Passos Coelho, o comentador disse: «Penso se o Presidente não sabia já há uma semana do que iria acontecer a Vítor Bento» e se «não era uma chamada de atenção ao Governo».

«Penso que se o Presidente não tivesse intervindo era melhor e se o primeiro-ministro não lhe tivesse dado aquela 'canelada' final, que era se tinha dúvidas perguntasse mais», também.

Ora, este caso pode ter consequências políticas: «É uma ficção achar que o governador do BdP está sozinho nisto». Quem tomou a decisão de meter dinheiro da troika foi o Governo. Se isto corre mal não é o governador do BdP que vai a votos».

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