Marcelo Rebelo de Sousa está convencido que o Presidente da República não vai pedir a fiscalização preventiva do orçamento e que já disse o «porquê» durante a visita ao Panamá.

O comentador fez esta conclusão depois de ouvir Cavaco Silva a recordar que não o fez no passado para «poupar uma crise» ao país.

Marcelo espera que Cavco aprove o orçamento e este entre em vigor a 1 de janeiro e que depois seja o próprio ou a oposição a pedir a fiscalização sucessiva, que arrastará a decisão por mais uns meses.

«Desta forma, quando vier uma decisão do Tribunal Constitucional, porventura a chumbar os cortes à Função Pública, lá para março, chegamos à troika e dizemos: agora só há uma maneira que é rever as metas do défice», explicou, lembrando que os credores internacionais deverão sair do país em junho.

Marcelo elogiou Cavaco por «neutralizar uma crise política e uma crise orçamental» mas criticou o Governo por ter «renunciado» à reforma do Estado e, em vez disso, ter aprovado mais cortes «à última da hora».

«O Governo aprova tudo à última da hora. Acha normal que até à última ainda estejam a ver onde cortam? Como não há uma linha lógica e renunciaram à reforma do Estado, não há gestão política possível», afirmou.

Para o comentador, o principal «erro» do Governo com o OE2014 foi, através de Paulo Portas, «deixar criar a expectativa de que estava tudo a correr muito melhor». «E depois aconteceu o tal choque de expectativas», acrescentou.

Marcelo defende que o Executivo devia criar condições para o crescimento. «Os cortes só não são definitivos se a economia crescer. Se a economia não crescer, é óbvio que os cortes são definitivos. Basta fazer as contas. Porque falta o crescimento económico e isso o Governo não soube explicar», concluiu.