Constança Cunha e Sá diz que a manifestação das forças de segurança, que levou à demissão do diretor da PSP, abriu «um precedente», que o ministro da Administração Interna tentou esta sexta-feira neutralizar, ao dizer que foi uma «exceção que não voltará a repetir-se». Na TVI24, a comentadora constatou que, «pela primeira vez, foi ultrapassado um limite».

«De certa forma, a atitude da polícia que estava de serviço contrastou com atuações anteriores, em que a polícia avançou contra os manifestantes e impediu firmemente que subissem a escadaria [do Parlamento]. Tal nunca tinha acontecido e posso dizer até que acho mais simpática esta forma da polícia atuar do que espancar manifestantes», afirmou Constança Cunha e Sá, no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

Mas, para a comentadora, não é líquido o motivo que levou a polícia, que estava de serviço, a não reprimir os manifestantes: «Há aqui um problema que eu não tenho a certeza. Foi uma encenação e permitiu-se aos polícias invadir a escadaria de forma simbólica por razões puramente corporativas? Ou teve a ver com a avaliação da situação no local, como medida de prevenção, tendo em conta que seria altamente perigoso não deixar aquelas pessoas ultrapassar as barreiras?».

Seja qual for a razão, constatou Constança Cunha e Sá, «abriu-se aqui um precedente porque a polícia, seja por análise da situação, seja por estar a lidar com colegas de profissão, não atuou da mesma maneira como atuou em manifestações anteriores».