Constança Cunha e Sá criticou, esta terça-feira, o alerta de Cavaco Silva de que «intrigas e insultos entre agentes políticos não promovem o crescimento». Na TVI24, a comentadora considerou «absolutamente extraordinário» que um Presidente da República «insulte a classe política» e critique o debate democrático e a conflitualidade que existe em qualquer democracia.

«Aquilo que o Presidente da República chama insultos, crispações, faz parte da vida democrática normal. O que não é normal é termos um Presidente da República que não se considera político. O cargo de Presidente da República é um cargo eminente político e não faz qualquer sentido que o Presidente da República gaste todo o seu tempo a pensar na economia e considere que a atividade política é um fait-divers. Há limites para aquilo que pode dizer um Presidente da República», defendeu a comentadora, no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

Para Constança Cunha e Sá, o chefe de Estado disse várias coisas graves. Primeiro, Cavaco Silva «criticou a classe política fazendo parte dela». Em segundo lugar, Cavaco Silva disse que, «como Presidente da República, não perde tempo com a política - quando é exatamente a política que devia condicionar a economia».

A comentadora explicou que, com a globalização, a política nacional fica dependente daquilo a que alguns chamam a «ditadura dos mercados» e que coloca a questão do Estado nacional. A questão, no fundo, é a da soberania do país. «É isso que, para o Presidente da República, é um fait-divers. É isso que eu penso que é gravíssimo. O Presidente da República é o garante do funcionamento regular das instituições, é o garante da democracia e, portanto, não pode considerar o debate democrático e a política um fait-divers e, muito menos, vir dizer isso em público», rematou.