Marcelo Rebelo de Sousa criticou, este domingo, no Jornal das 8, na TVI, o Governo por não saber gerir a comunicação na crise grega e aconselhou o primeiro-ministro a aprender com Paulo Portas, a quem apelidou de mini-Varoufakis. O comentador da TVI considerou ainda que Maria Luís Albuquerque «ficou mal no retrato» e que os «portugueses» pareceram «mais alemães do que os alemães». Já sobre o acordo alcançado na Grécia, Marcelo diz que é «uma sopa da pedra».

«Isto é uma lição. Este Governo não acerta uma em termo de comunicação e gestão política. O caso grego vai durar mais não sei quanto tempo, quer acabe bem, quer acabe mal, por amor de deus, afinem o discurso. Passos Coelho aprenda com Portas, eu sei que Portas é frenético demais, também é um exagero, mas aprenda com Portas, aprenda com Rangel, com quem sabe o que se deve dizer e já agora Maria Luís aprenda a não comprar problemas, perdendo votos cá dentro, que foi o que aconteceu nesta atuação do Governo», disse.


Marcelo Rebelo de Sousa criticava a reação do Governo às declarações de Juncker na última semana, quando a Grécia tentava ainda chegar a um acordo, e o presidente da Comissão Europeia veio da um «sinal» à Atenas dizendo que a troika tinha posto em causa a dignidade dos portugueses.

«Na reação a Juncker o Governo falou a duas vozes. No fundo Portas, é um mini-Varoufakis, «avant la lettre», isto é uma pessoa que aprendeu a comunicar, teve no jornalismo, foi diretor do Independente, e portanto, é um sabidão, há que tempos que andava a dizer que isto era um vexame, era um protetorado, quando Juncker falou, disse, eu já tinha dito isto e disfarçou», disse Marcelo. Já sobre o PSD o comentador da TVI considerou que «no PSD a reação foi comos dois pezinhos» e que «não está em causa o PSD achar que é mau eleitoralmente que corra bem na Grécia», mas não deve é dizê-lo «publicamente», uma vez que não «ganha nada com isso».

 

«Ninguém lhes agradece, nem a senhora Merkel», disse, reforçando: «O PSD tem de aprender a reter os seus sentimentos».


Marcelo Rebelo de Sousa criticou também a atuação da ministra das Finanças em Bruxelas em dois momentos distintos, lembrando que na política «o que parece é».

«Em política o que parece é. E o que parece foi que aquela reunião que estava marcada desde novembro, em que ela se senta ao lado do chanceler alemão e responderam a perguntas dizendo a mesma coisa, que eram indiretas à Grécia, isto foi interpretado como os portugueses são mais papistas que o papa, os portugueses são mais alemãs que os alemães», defendeu.


Sobre a posição da ministra depois do acordo e tendo em conta as críticas de Varoufakis, «esse artista da bola», Marcelo também deixou recados.

«A ministra Maria Luís devia ter falado na véspera deveria ter feito o que o espanhol fez e depois veio aqui a correr, encostada à parede, numa posição defensiva, a explicar que nem uma vírgula se alterou», afirmou.

 
Já o acordo grego mereceu as críticas de Marcelo que defendeu que Atenas conseguiu um acordo pior do que tinha rejeitado.

«O acordo é uma sopa de pedra, o acordo é só aquele aluno ser admitido numa época de recurso. Não é mais nada. E ser admitido em condições iguais aquelas em que estava o senhor Samarras quando foi corrido», disse.

 

«O curioso é que depois da volta toda o Syriza já engoliu um presidente de direita, engoliu a ideia do perdão da dívida, engoliu a ideia da não negociação, engoliu uma série de condições. O dinheiro não pode ser para a banca e tem uma série de condições para a sua aplicação, tem de apresentar as reformas. Quem ouvir o senhor Tsipras e o senhor Varoufakis dirá “que grande vitória” porque eles sabem vender o peixe», defendeu.

 

«Eu acho que o senhor Varoufakis que é um exemplo de comunicação, às vezes dá a sensação que é só comunicação, o homem não deve pegar nas Finanças, nem deve gerir as Finanças. É um ótimo comunicador, ele criou ali um aparente braço de ferro para dizer que foi duro, porque acabou por aceitar, no fim da semana, um texto pior do que aquele que recusou na segunda», considerou. 

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda, sobre Sócrates e a ascenção e queda do ex-primeiro-ministro, que «Sócrates era a última coca-cola do deserto». O comentador falou ainda sobre os lesados do BES, defendendo que há matéria para ir a tribunal e sobre as multas das portagens